Os dados de inflação e produção da indústria começam a desenhar o fim do ciclo de alta para a Selic. Como essas foram algumas das variáveis que mais preocuparam o Comitê de Política Monetária (Copom), nos últimos meses, a desaceleração dos indicadores pode apontar para uma política monetária menos restritiva daqui para frente. Para março, no entanto, ainda se espera um ajuste entre 0,25 e 0,50 ponto.
O mercado futuro de taxas começa a indicar que o aumento do juro nesse mês seria de 0,25 ponto, para justificar as últimas atas do Copom e finalizar o ciclo de aperto monetário com taxa de 19% ao ano.
A tese de alguns analistas sobre o último aumento da Selic em março tem como pano de fundo os dados do Produto Interno Bruto de 2004, que apresentou desaceleração nos últimos meses do ano. Os dados regionais de janeiro também apontam a mesma tendência. O Índice de Atividade da indústria paulista recuou 5,1% em janeiro sobre dezembro. Já a inflação começa a arrefecer, com o expurgo da pressão sazonal das tarifas públicas, como IPVA e IPTU, e das mensalidades escolares.
A ressalva na tese desses especialistas fica por conta de um movimento mais forte de alta do petróleo. Ontem, o barril do óleo WTI bateu os US$ 55,00 em Nova York. Se as cotações subirem muito podem comprometer as expectativas de inflação futura e aí o Copom pode frear essas estimativas com mais aumento de juro.
Por enquanto, os investidores de renda fixa estão se valendo da inflação corrente para projetarem suas taxas no mercado futuro. Pelo menos foi o que aconteceu ontem diante do recuo de 0,20 ponto percentual verificado pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), entre janeiro e fevereiro.
Mudança de tendência
A alta das cotações do dólar por dois dias seguidos chama a atenção de alguns analistas, que começam a verificar uma possível mudança na tendência de curto prazo. A moeda norte-americana atravessou o dia em alta, para fechar com variação positiva de 1,51%. Nos últimos negócios, o dólar comercial valia R$ 2,683 para a venda.
Medo do contrapé
Alguns operadores de câmbio disseram que o dia de ontem foi caracterizado pela zeragem de posições vendidas. O movimento ocorreu porque as instituições estariam preocupadas com a possibilidade de a cotação da moeda subir mais nos próximos dias. Se isso ocorrer, quem está vendido a, por exemplo, R$ 2,50, pode ter prejuízo na hora em que for comprar moeda para cobrir a posição (e assim zerá-la). Considerando essa conta, ontem, perda seria de R$ 0,183 por dólar.
Destino dos dólares
O investimento estrangeiro deu o tom dos negócios no mercado acionário brasileiro no mês passado. Essa categoria comprou nada menos do que R$ 13,6 bilhões em ações e vendeu R$ 9,9 bilhões. Com isso, o saldo do capital externo na bolsa ficou positivo em R$ 3,7 bilhões no mês. No período, os negócios feitos pelos estrangeiros corresponderam a 32,1% da movimentação da Bovespa.
A preferida
Em fevereiro, as ações PN da Telemar lideraram os negócios na Bovespa. Esses papéis movimentaram R$ 3,61 bilhões. A segunda colocada foi a Petrobras PN, com R$ 2,82 bilhões. Em seguida vieram Vale do Rio Doce PNA, com R$ 2,24 bilhões, Siderúrgica Nacional ON, com R$ 1,32 bilhão, e Usiminas PNA, com R$ 1,25 bilhão.
Venda de ativos
A Nossa Caixa publica hoje o edital de venda do controle da Nossa Caixa Seguros e Previdência. O banco vai se desfazer de 51% do capital votante da empresa e vai manter os 49% restantes. A idéia é manter apenas o controle dos ativos que fazem parte do negócio principal da instituição. O leilão deve ocorrer até o final do primeiro semestre deste ano. Quem arrematar a empresa já vai contar com uma rede de distribuição de 880 unidades, sendo sete agências fora de São Paulo.