O tom mais ameno da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) passou a sugerir ao mercado que o ciclo de alta da Selic pode ser finalizado em março. Essa percepção está promovendo um novo ajuste na curva de juros, formada pelos contratos negociados no mercado futuro. Todos os contratos de Depósitos Interfinanceiros passaram a projetar taxas mais baixas e o movimento deve continuar nos próximos dias.
Para janeiro foram negociados 300 mil contratos, com giro financeiro de referência de R$ 25,8 bilhões. O volume, acima da média diária dos negócios, revela uma clara mudança no patamar das apostas do mercado para o juro no final do ano.
Embora o documento elaborado pelos diretores do Banco Central sinalize que o aperto monetário ainda não foi concluído e que o juro pode permanecer em patamar elevado por um bom tempo, também apontou uma descompressão nas preocupações com atividade econômica e o ritmo de demanda. Se essas duas variáveis continuarem apontando para a mesma dinâmica, ou seja menor pressão sobre os índices de preços, o Copom pode entender que chegou a hora de parar de elevar o juro.
Uma das preocupações do Comitê era em relação ao forte nível de atividade e uma pressão sobre a demanda agregada em razão da maior disponibilidade de crédito, o que não se confirmou, pelo menos, nos últimos dois meses. No caso da demanda, embora o acesso ao crédito tenha aumentado, os consumidores preferiram pagar dívidas, como mostram os dados de inadimplência, para depois tomarem decisões de consumo.
Alta inesperada
No mercado de câmbio, o dólar comercial teve uma rápida e forte subida no final da tarde a de ontem partir de rumores que circularam pelo mercado financeiro dando conta de que os diretores do Banco Central estariam reunidos em uma conversa sobre câmbio. Nas últimas ofertas do dia, a moeda norte-americana valia R$ 2,634, com variação positiva de 1,58%. Na máxima, saiu a R$ 2,64. Pelas mesas de operações, comentava-se que a autoridade monetária poderia estar definindo sobre a propostas de alterar o prazo para a internalização de dólares referentes a exportação.
Pode parar
Diante da leitura da ata do Copom, o economista Cristiano Oliveira, do banco Schahin, reforçou sua análise de que o aperto monetário pode ter sido encerrado em fevereiro. Se houve aumento em março, diz o especialista, será de 0,25 ponto. Oliveira observa que a ata confirma que o BC está atento, sim, a fatores que podem se tornar pressões inflacionárias.
Olhando para frente
Embora o mercado seja muito sensível aos dados da inflação corrente, o economista diz que o BC faz política monetária olhando para um horizonte de seis a nove meses. E olhando adiante, a autoridade monetária pode estar entendendo que o efeito que a apreciação do real está mostrando sobre os índices de preços no atacado, pode chegar ao consumidor. Os indicadores de atacado estão mostrando desaceleração dos componentes sensíveis a variação cambial.
Enigma
O economista da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo destacou o caráter ''enigmático'' da ata do Copom. Ele disse que conversou com outros economistas e nem todos compartilham da sua opinião. ''A ata parece a bíblia, com várias leituras. Cada economista leu a ata de um jeito, o que mostra que ela é dúbia'', concluiu após essas conversas.
Aposta em vendas
Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) indica um aumento das encomendas para a Páscoa entre 10% e 15%. A Abras realizou uma sondagem com 50 empresas, que respondem por cerca de 50% das vendas totais do setor. A Páscoa representa a segunda data mais importante para o segmento, ficando atrás apenas do Natal.
Agenda
A Petrobras divulga os resultados referentes a 2004. Até o terceiro trimestre do ano passado, a estatal contabilizou lucro líquido de R$ 13,29 bilhões.