Os primeiros negócios com dólar podem devolver parte da alta verificada ontem, quando o mercado procurou elevar a cotação da moeda para garantir um retorno financeiro melhor na liquidação dos contratos e papéis da dívida cambial que estão sendo resgatados hoje pelo Banco Central. Assim, a moeda norte-americana ignorou o movimento de queda internacional observado ao longo do dia de ontem e, internamente, operou em alta. Nas últimas ofertas, a divisa valia R$ 2,601, com valorização de 0,89%.
As principais moedas internacionais se valorizaram frente ao dólar com a expectativa de alteração na composição das reservas coreanas. A preocupação é que outros países adotem o exemplo, diversificando sua cesta de moedas na composição das reservas, enquanto o governo americano não reverter os déficits gêmeos (fiscal e comercial).
No Brasil, como o fluxo de dólares para o país se mantém positivo e os investidores continuam trazendo moeda para garantir a rentabilidade que as aplicações em renda fixa estão proporcionando, a estimativa é de que a tendência de queda das cotações da divisa seja retomada. A ressalva fica por conta de preocupações temporárias com a cotação do petróleo. Ontem, o barril do óleo tipo WTI subiu 5,8%, para US$ 51,15. Foi o maior patamar de fechamento verificado em quatro meses.
Na renda fixa doméstica, a expectativa de uma ata tão conservadora quanto a que o Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou há um mês mantém o ajuste da curva de juros para cima, no aguardo de nova rodada de alta para a Selic. Por enquanto o mercado projeta alta de 0,25 a 0,50 ponto percentual em março, mas essas apostas só devem ganhar força após a divulgação do documento do Copom.
Pagando as contas
O ritmo da inadimplência vem diminuindo nos últimos anos conforme pesquisa da Serasa, que inclui os registros de cheques devolvidos, títulos protestados, dívidas vencidas com bancos, cartões de crédito e financeiras, para pessoa física e jurídica. O levantamento mostrou que houve aumento de 10,9% no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004, os dois primeiros anos do governo Lula, contra elevação de 55,2% do período de 2001 a 2002.
Evitando o calote
Já o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) constatou que, ao mesmo tempo em que estão pagando dívidas, os consumidores estão evitando contrair novas. Nos primeiros dez dias de fevereiro, o volume de exclusões de registros de inadimplência no SPC Brasil foi 33,7% superior ao mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, o volume de consultas ao SPC apresentou queda de 19% em relação ao mesmo período de 2004.
Porto Seguro
Além da rentabilidade que a renda fixa tem proporcionado em razão das constantes elevações da Selic, os investidores optam por essa modalidade de aplicação por enxergá-la como um porto seguro. ''O brasileiro ainda teme muito a instabilidade do mercado e o fantasma da inflação, por isso entendem que investir em renda fixa é uma forma de não perder dinheiro'', avalia o diretor da Caixa Vida & Previdência, Edmilson Gama. Um levantamento realizado por esse departamento na Caixa aponta que 77% dos clientes de previdência querem seu dinheiro em renda fixa.
Pacote
Os setores exportadores de couro, calçados, móveis e indústria têxtil do Rio Grande do Sul terão um desconto no ICMS para compra de insumos. A alíquota vai cair de 17% para 12%. A medida será divulgada hoje para tentar conter o clima de descontentamento entre os exportadores do estado. O novo decreto estabelece um escalonamento para uso dos créditos, que varia conforme o faturamento da empresa.
Agenda
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) divulga os dados do Boletim de Comércio Exterior do Rio de Janeiro - Rio Exporta - referente ao mês de janeiro.