O mercado financeiro doméstico entra em compasso de espera para a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que, na semana passada, elevou a Selic em mais 0,5 ponto percentual, para 18,75% ao ano. Diferente das reuniões dos meses anteriores, no encontro da semana passada, os diretores do Banco Central preferiram não dar nenhuma pista sobre o motivo do ajuste, por unanimidade.
O mercado, por sua vez, tem as suas teorias. A principal delas diz respeito às expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano que, mesmo com os ajustes de política monetária já promovidos, ainda não convergem para os 5,1% que o Banco Central estima para o período.
Para os especialistas, é pouco provável que a pesquisa de mercado que o BC realiza junto a instituições financeiras, que será divulgada hoje, aponte recuo expressivo das projeções dos analistas para a inflação. Há uma semana, essa estimativa era de 5,74%. Desde o aumento da Selic de janeiro e o tom conservador da ata daquele encontro, as pesquisas semanais do BC quase não oscilaram, com as estimativas dos analistas revezando entre 5,74% e 5,75%.
Além disso, os indicadores de preços ao consumidor divulgado no mês de janeiro mostram que os núcleos continuam projetando inflação acima dos 5,1%. Outra constatação dos especialistas diz respeito ao aumento do consumo. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que, no ano passado, as vendas do comércio varejista cresceram 9,2%, interrompendo uma seqüência de quedas anuais consecutivas iniciada em 2001.
Como a expectativa de consumo continua alta, acredita-se que as vendas no varejo vão manter o ritmo acelerado nos próximos meses. O Índice de Confiança do Consumidor, calculado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) em conjunto com a Fundação Getulio Vargas subiu 1,1% em fevereiro.
Vendas em alta
Para os economistas da LCA Consultores, um dos motivos que deve contribuir para manter as vendas do varejo em alta é a recuperação do mercado de trabalho. Os últimos dados do IBGE mostraram que, no ano passado, a indústria contratou 1,9% a mais em relação a 2003 e elevou os salários do trabalhador em 6,9%.
Mais salário
Outra variável que tende a manter as vendas é o reajuste real de cerca de 8,6% do salário mínimo a partir de maio. O ajuste vai representar um relevante acréscimo da massa real de rendimentos da população, o que tende a aumentar ainda mais a disposição de consumo para os próximos meses.
Menos inadimplência
Com a inadimplência em queda em algumas regiões e estável em outras, a tendência de aumento de consumo torna-se ainda mais viável. Os economistas da LCA projetam que o IBGE deve informar que, em janeiro, o volume de vendas do comércio varejista cresceu 3,7% sobre janeiro de 2004. Já em relação a dezembro, deverá haver decréscimo de 1%.
Gerenciamento
O Banco Central pode ter que intensificar a compra de dólares no mercado à vista nesta semana. Hoje, será divulgado o resultado das contas externas de janeiro e, segundo analistas, dependendo do comportamento dos investimentos estrangeiros, a cotação da moeda tende a cair ainda mais. Na semana passada, a divisa ensaiou romper para baixo os R$ 2,55, fato que pode ocorrer ao longo desta semana. Além da compra de moeda, o BC pode, ainda, aumentar o volume de oferta de contratos de swap de câmbio.
Agenda
O Banco do Brasil divulga hoje o resultado relativo ao exercício de 2004. O presidente interino da instituição, Rossano Maranhão Pinto, e o Vice-Presidente de Mercado de Capitais e Relações com Investidores, Luiz Eduardo Franco de Abreu, comentam o desempenho do banco. De janeiro a setembro do ano passado, o BB registrou lucro líquido de R$ 2,3 bilhões.