As primeiras prévias da inflação de fevereiro devem reforçar as apostas do mercado em relação à política monetária de curto prazo. Para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os analistas esperam um movimento de desaceleração dos grupos alimentação, vestuário e educação.
No caso de educação, a maior parte da pressão sazonal já ocorreu em janeiro, com as matriculas escolares. Assim, o arrefecimento desses grupos pode compensar o avanço que deve ser observado no setor de transportes. Para essa primeira medição, as estimativas apontam para alta ao redor de 0,50% para o IPC-Fipe, contra 0,68% em igual período de janeiro.
O mercado também acompanha a primeira prévia de fevereiro do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) que deve contabilizar mais uma vez a perda de força dos preços no atacado. Alguns analistas acreditam que essa medição pode mostrar inflação próxima de 0,10%.
O arrefecimento esperado para os indicadores não deve interferir na percepção do mercado de que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai promover novo ajuste para a Selic, na próxima semana. O mais recente relatório elaborado pelo BC, a partir da coleta de informações junto a instituições financeiras, revela que, na média, os analistas esperam novo aumento de 0,50 ponto para o juro básico. O contrato de juros de março - que sinaliza as apostas para a taxa básica no último dia útil de fevereiro, fechou a 18,51%.
Câmbio
A exemplo do que ocorreu na primeira operação com os contratos de swap de câmbio, logo após o leilão, o movimento de alta da cotação do dólar começou a arrefecer e o BC aproveitou para comprar moeda no mercado à vista para as reservas internacionais. Para alguns analistas, a tendência de queda do dólar não deve ser revertida no curto prazo em razão do fluxo comercial e das captações. A mais recente é a do ABN Amro, de R$ 100 milhões com prazo de cinco anos.
Apetite
Os analistas observam que o atual patamar do juro doméstico - 18,25% ao ano, com tendência de alta - alimenta o apetite dos estrangeiros pelas captações em reais. Neste ano, Unibanco e ABN já captaram no exterior em moeda brasileira. Esse apetite também se reflete no C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, que já bateu novos recordes de cotação e se aproxima dos históricos 104% do seu valor de face.
Lei de Falências
Para o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), a sanção presidencial e a conseqüente entrada em vigor da nova Lei de Recuperação de Empresas farão com que os bancos possam finalmente reduzir os juros. A expectativa está baseada em opiniões colhidas junto à parte dos 1.100 profissionais, entre presidentes, diretores e gerentes da área de finanças de empresas nacionais e multinacionais, além de bancos, que fazem parte do Instituto.
Concordo plenamente
O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro Neto, disse que a nova Lei é um marco importante dentro da agenda de reformas do país. ''Esperamos que, além de outros resultados, ela possa contribuir para a redução do spread no Brasil, já que os credores bancários passam agora a ter um tratamento diferenciado e mais equânime'', declara.
Mais capital
Walter Machado de Barros, presidente do Ibef-SP diz que a entrada em vigor da nova Lei é mais um fator que favorece o aporte, no Brasil, do capital de longo prazo. ''O governo federal está deixando mais claro que assumiu uma atitude pró-capital privado, demonstrada através de ações concretas como a aprovação dessa lei'', afirma. ''O capital de risco, de investimento no longo prazo, que realmente contempla o setor produtivo, estava aguardando cabais demonstrações de que o governo gera confiança jurisdicional de forma perene'', resume.