A sazonalidade característica do mês de janeiro vai pressionar o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e, consequentemente, pode elevar a percepção negativa dos analistas em relação à dinâmica dos preços ao consumidor neste ano. Os profissionais estimam que o IPC-Fipe vai ficar entre 0,75% e 0,80% em janeiro, contra 0,67% de dezembro e 0,72% da semana imediatamente anterior.
Conforme esperam, mensalidades escolares, alimentos "in natura" e recreação devem ser os grupos de maior pressão sobre o indicador no período. Os especialistas estimam que a pressão sobre os preços no varejo ainda deve ser contabilizada nos indicadores de fevereiro. Um deles lembra que o pagamento parcelado do IPVA se estende até março, ampliando o efeito sazonal do período.
Os indicadores fechados de inflação de janeiro ganham mais relevância após a leitura da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) que insistiu na possibilidade de novo ajuste dos juros, caso os preços saiam da rota de convergência para os 5,1% estimados pelo Banco Central neste ano.
Nos Estados Unidos, o resultado da reunião do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) ficou em linha com as projeções do mercado. A autoridade monetária elevou o juro básico em 0,25 ponto, para 2,5% ao ano. Os analistas esperam novas rodadas de ajustes.
No Brasil, além dos indicadores fechados de inflação de janeiro, o mercado espera os dados da atividade econômica para formarem consenso em relação à próxima reunião do Copom, que acontece uma semana após o Carnaval. O contrato de juros de março, que sinaliza as expectativas para a Selic no último dia de fevereiro, fechou a 18,51%, revelando que crescem as apostas em um aumento de 0,50 ponto para o juro neste mês.
Não entendi
Os investidores não entenderam a estratégia do Banco Central de ofertar contratos de swap de câmbio, na posição contrária a dos contratos já existentes no mercado. Segundo a autoridade monetária, o instrumento tem com objetivo reduzir a exposição cambial do estoque total da dívida, atualmente de 9,86%. O argumento não foi bem aceito pelos participantes do mercado, que preferiram entender a medida como um reforço para as compras de dólares no mercado à vista.
Isso porque
Após a conclusão da oferta dos contratos de swap, a cotação do dólar desacelerou o movimento de alta e logo em seguida o BC comprou moeda no mercado à vista. Os operadores disseram que, a princípio, a operação do BC pode trazer mais volatilidade ao setor e distorcer a tendência natural do mercado, que atualmente é de queda. Esse foi o movimento verificado ontem, quando pela manhã, as cotações subiram, no aguardo do leilão, para desacelerarem após a oferta.
Onde há fumaça...
Se o mercado estava desconfiado de um aumento na projeção de captação externa do Tesouro Nacional para este ano, a viagem do secretário do órgão, Joaquim Levy, e seu adjunto, José Antonio Gragnani, para Londres pode ser um indício de que a bem-sucedida operação desta semana pode mesmo resultar em ampliação da oferta. A programação do Tesouro é captar US$ 6 bilhões neste ano. Desse total, já foram emitidos US$ 1,25 bilhão em papéis com prazo de 20 anos e outros €US$ 500 milhões, com resgate previsto para 2015.
Falando japonês
O Santander Banespa está lançando o Credi Nikkei, uma linha de crédito desenvolvida especialmente para financiar as despesas de viagens (passagem aérea e documentação) de clientes dekasseguis, brasileiros descendentes de japoneses que vivem e trabalham no Japão.
Agenda
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, entrega hoje ao presidente Luz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, proposta para a implementação do seguro garantia para a indústria da construção naval.