A percepção do mercado de que a Selic vai subir mais deve garantir demanda para as operações semanais de financiamento da dívida pública por parte do Tesouro Nacional. Além da demanda pelos papéis por parte dos investidores domésticos, os estrangeiros também estão vendo uma boa oportunidade de garantirem boa rentabilidade com a Selic a 18,25% ao ano, com tendência de alta.
Por outro lado, dizem os profissionais de renda fixa, as operações que o Banco Central vem realizando para enxugar a liquidez do sistema financeiro podem impedir o Tesouro de aproveitar a oportunidade para alongar o prazo dos papéis da dívida pública. Em dezembro, o prazo médio do estoque da dívida era de 18,5 meses. Os analistas dizem que quase metade do total de R$ 811 bilhões vence em até doze meses.
Para não deixar o sistema financeiro com sobra de reais - atualmente essa sobra é de mais de R$ 70 bilhões, conforme dados do mercado - a autoridade monetária tem vendido papéis de sua própria carteira, com compromisso de recompra. O problema, segundo os operadores, é que esses títulos têm prazo curto, de 30 a 90 dias, mas pagam juro alto - muitas vezes acima da Selic.
Embora o País hoje esteja atravessando uma situação favorável, quer seja no setor público, que registrou superávit primário de 5,6% no ano passado, ou no setor externo, com superávit de US$ 11 bilhões, alguns investidores ainda têm a cultura de garantir rentabilidade no curto prazo, temendo percalços no futuro. Esse pensamento faz com que os papéis curtos do BC sejam mais interessantes do que os longos do Tesouro. Até porque, a tendência de longo prazo da Selic é de queda, como mostra a curva de juros - formada pelos contratos de juros negociados no mercado futuro - e o parâmetro para a venda dos papéis do Tesouro é a própria curva.
Assim, no limite, a título de rentabilidade, os papéis de até 90 dias ofertados pelo BC acabam atraindo mais a atenção do investidor do que os títulos prefixados com prazo de, por exemplo, dois anos do Tesouro. De qualquer forma, o desafio do órgão da Fazenda a partir de agora é alongar o prazo da dívida e reduzir a participação dos papéis indexados à Selic. Atualmente essa parcela corresponde a mais de 50% da dívida e toda vez que o Copom aumenta a Selic, o estoque do endividamento sobe proporcionalmente.
Agora não
Alguns analistas desconfiam que, mesmo com o tom conservador da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), as expectativas de inflação não devem desacelerar nesse momento. Há uma semana, conforme a pesquisa que o BC realiza com instituições financeiras, na média, os analistas estimavam que a inflação vai fechar o ano em 5,7%.
Mas no mês que vem
Esses mesmos analistas dizem que, dado o grau de pessimismo adotado pelo Copom, o Comitê pode optar por elevar a Selic em 0,75 ponto na reunião de fevereiro e forçar a convergência das expectativas para os 5,1% de inflação em 2005.
Assim não dá
Para os representantes da indústria de PCs presentes, o valor de R$ 1.400,00 proposto pelo Governo, no âmbito do programa PC Conectado está aquém das atuais possibilidades das empresas, pois a carga tributária e a baixa escala de produção (em função da forte concorrência do mercado cinza) não permitem margens de redução nos custos. No entanto, o setor fará novos estudos no sentido de oferecer sugestões.
Bancos
O presidente do Bradesco, Mácio Cypriano, divulga hoje o desempenho do maior banco privado brasileiro no ano de 2004. De janeiro a setembro do ano passado, o banco apresentou lucro líquido de R$ 2 bilhões, resultado 25,8% maior do que o apresentando em igual período de 2003.
Balança
O ministério do Desenvolvimento divulga na quarta-feira o superávit comercial no primeiro mês do ano. As projeções da LCA Consultores apontam para um saldo positivo de US$ 1,8 bilhão. Os especialistas observam que se o reajuste de 90% para o preço do minério de ferro ocorrer, as receitas das exportações do produto podem subir US$ 4 bilhões neste ano.