Analistas e investidores devem dedicar a primeira metade do dia à leitura da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que há uma semana elevou a Selic em 0,50 ponto percentual, para 18,25% ao ano. A expectativa é de que o documento mantenha o tom conservador adotado nas atas anteriores, como forma de justificar o breve comentário do Copom após a reunião da semana passada.
Conforme o comentário dos diretores do Banco Central, ao aumentar o juro básico da economia, o Copom estava dando continuidade ao processo de ajuste da taxa básica iniciado em setembro do ano passado. De lá pra cá, o juro já subiu 2,25 pontos percentuais. E da última reunião até ontem, o mercado assumiu a idéia de que o ciclo de aperto monetário vai continuar em fevereiro.
Para o segundo mês do ano é aguardado mais um ajuste para o juro, mas as apostas em torno do percentual de aumento devem começar hoje, após a leitura da ata. No mercado futuro de taxas, a curva de juros - formada pelos contratos de Depósitos Interfinanceiros, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros - foi deslocada para cima no dia seguinte ao do resultado do Copom. Na sexta-feira, a correção foi ainda mais forte, o que fez com que o mercado refizesse suas projeções.
Ao longo desta semana, no entanto, o movimento foi de queda ou, como dizem alguns operadores, de correção de exageros. Os contratos de juros apontaram taxas um pouco mais baixas dos que as verificadas após a reunião do Copom, mas que ainda sugerem ajuste dos juros em fevereiro. O contrato de março, que sinaliza a expectativa de taxa para o último dia útil de fevereiro indicou 18,35% ao ano.
Irritação
As expectativas em torno da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e da divulgação da ata referente ao encontro já estão deixando alguns investidores irritados, conforme experientes executivos do mercado. Um deles desabafou: ''O mercado pára duas semanas antes da reunião, no aguardo da decisão e, depois, mais uma semana esperando a ata. Desse jeito fica difícil fazer negócio''.
Enquanto isso...
Tem gente aproveitando para garantir boa rentabilidade com os títulos públicos, a cada aumento da Selic. Alguns operadores de renda fixa começam a detectar um movimento comprador de papéis públicos por parte de investidores estrangeiros. O movimento está garantindo a venda integral dos papéis ofertados pelo Tesouro Nacional nas operações semanais de financiamento da dívida pública. Ontem, o Tesouro vendeu título prefixado, com vencimento em janeiro do ano que vem, com taxa de 18,90% ao ano. Para os papéis com resgate em julho de 2006, a remuneração foi de 18,54% ao ano.
Motivo para queda
A compra de títulos públicos pelos estrangeiros é outra variável que tem contribuído para a valorização do real frente ao dólar. Os outros elementos são: exportações, captações brasileiras no mercado externo e o recuo do dólar frente as moedas internacionais. Ontem, mesmo com a compra de moeda por parte do BC para as reservas internacionais, a moeda norte-americana fechou a R$ 2,666, em baixa de 0,82%.
Certificação
O presidente Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Márcio Cypriano, assina, hoje com a Secretaria de Receita Federal e o Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), protocolo para a utilização da Certificação Digital na assinatura de documentos eletrônicos e transações bancárias, dando preferência para o mais alto nível de segurança, que é o padrão e-CPF/e-CNPJ, tipo A3.
Desaceleração dos preços
O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) divulga hoje o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) referente ao mês de janeiro. A expectativa do mercado é de que o indicador fique entre 0,40% e 0,50%. Se confirmada a estimativa, haverá desaceleração dos preços em relação ao 0,74% do IGP-M de dezembro.