A primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) é o principal evento da semana. Os analistas chegam às vésperas do encontro divididos em relação ao resultado. Embora a maior parte dos profissionais esteja esperando por um novo ajuste de 0,50 ponto percentual para o juro básico da economia - em linha com a pesquisa semanal de mercado realizada pelo Banco Central - a ala moderada entende que não há necessidade de um ajuste desta magnitude. Para esses profissionais uma calibragem de 0,25 ponto para a Selic seria suficiente para manter a trajetória de convergência das expectativas dos preços para os 5,1% que o BC pretende atingir neste ano.
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano passado ficou em 7,60%, um pouco abaixo do teto da meta estabelecida para o período, de 8%. Alguns analistas observaram que, ao iniciar o aperto monetário em setembro do ano passado, mirando na meta de 2005, o BC conseguiu manter o IPCA dentro do estimado para 2004. Entre setembro e dezembro, o Copom corrigiu a Selic em 1,75 ponto percentual, deslocando o juro básico de 16% para 17,75% ao ano.
A restrição ao crédito, como conseqüência do aumento do juro, já surte efeito sobre a atividade e as expectativas para o crescimento deste ano. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) captam a desaceleração da produção industrial em todo o País. A estimativa do próprio IBGE é de que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5% no ano passado, mas essa taxa de expansão deve desacelerar para 3,5% neste ano, conforme a média das projeções do mercado.
Alguns analistas defendem que, se o Copom estiver entendendo que o ritmo de arrefecimento da alta da produção será constante, a autoridade monetária poderá ser menos conservadora e sancionar um aumento de apenas 0,25 ponto na quarta-feira.
Por outro lado
Para os economistas do departamento econômico do ABN AMRO Real o nível corrente da inflação permanece incompatível com a meta estabelecida para 2005. ''Existe lentidão no processo de convergência das expectativas para o patamar perseguido pelo BC juntamente com uma atividade econômica que indica robustez. Por conta disso, a decisão ideal seria um novo aumento de 0,5 ponto'' dizem.
Não é bem assim
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que qualquer alteração no prazo para a internalização dos dólares provenientes das exportações brasileiras tem que passar pelo Conselho Monetário Nacional. Na última semana, o assunto foi colocado em evidência pelo ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, que sinalizou tratar-se de uma medida administrativa.
Se a dica foi dada...
Depois de tenta conversa em relação ao prazo para a entrada dos dólares, o mercado espera que o assunto seja de fato discutido na próxima reunião do CMN. Pelo menos é o que se comenta pelas mesas de câmbio das corretoras. A medida é vista como uma espécie de ''intervenção'', uma vez que a permanência dos dólares por mais tempo no mercado externo reduziria o fluxo comercial e, consequentemente, a valorização do real.
Regras
Um experiente profissional da área de câmbio disse que, para que a medida tenha sucesso, é preciso colocar algumas travas na entrada dos recursos no país, sob a pena de se ter uma enxurrada de dólares no mercado quando a cotação da moeda atingir um patamar considerado favorável para o exportador.
Acordo
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, assina hoje convênio com a Eletrobrás/Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica). Na ocasião, será oficializada a proposta de trabalho conjunto nas ações do Programa Procel Indústria - Eficiência Energética na Indústria. O acordo prevê a cooperação técnica e financeira para a promoção da eficiência energética nas indústrias do Estado de São Paulo, com foco em sistemas motrizes.