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Brasil precisa ter meta de investimentos


Para o diretor executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Sérgio Gomes de Almeida, um plano trienal de recomposição de reservas e ações mais direcionadas em prol de investimentos em infra-estrutura reduziriam o foco excessivo nas decisões mensais do Banco Central (BC) sobre a política de juros de curto prazo.

Em que metas como essas poderiam ajudar?

- O que está em jogo no atual momento econômico não são propriamente os resultados de curto prazo da economia. Ainda não há um plano definido do que o governo quer fazer com a economia do país. Falta uma orientação de médio e longo prazo. Além de metas inflação, tínhamos que ter objetivos a ser perseguidos, pelo menos, para reservas internacionais e taxa de crescimento. Seria um sinal claro de que o governo está comprometido com a redução de sua vulnerabilidade externa e com o crescimento sustentado. Seriam metas trienais.

Mas investimento é algo que depende prioritariamente do setor privado. Sendo assim, traçar uma meta para investimento não seria inócuo?

- Exportações e inflação também são itens que dependem do comportamento do setor privado. As pessoas têm medo de que isso signifique intervenção, não é. A idéia é que isso sirva mais como uma linha de ação do governo em busca desses objetivos.

Há certo consenso de que os primeiros projetos de Parcerias Público-Privadas (PPP), que são alvo dos esforços do governo nesse sentido, só começam a acontecer a partir de 2006. Que ações nesse sentido poderiam trazer resultados práticos já neste ano?

- A relação entre a formação bruta de capital fixo e o PIB deve ter sido de 20% em 2004. Acredito que isso vai subir para 22% este ano. O governo tem que ser mais enfático e dar um empurrão, desonerando os investimentos e fazendo, ele mesmo, as iniciativas que foram programadas. Isso faria esse percentual subir para cerca de 25% já nesse ano. É o que precisamos para crescer a uma taxa de 6%, 7% ao ano.

E quanto à formação das reservas externas?

- Penso que seria suficiente traçar um objetivo para ter reservas líquidas de US$ 50 bilhões a US$ 60 bilhões, nos próximos três anos. Nos últimos doze meses, a recomposição de reservas foi de cerca de US$ 7,5 bilhões, o que não é nada. Isso porque o governo ainda cedeu à pressão e comprou dólares, mas não havia uma política para isso.

O Banco Central não pára de subir os juros desde setembro. Pelo visto, nessa semana vem mais um aperto monetário. Isso compromete a expectativa de crescimento do PIB para 2005?

- A economia não vai desabar, mas o BC foi precipitado. Não acho que a desaceleração da atividade da indústria tenha sido uma resposta à alta dos juros, mas fazia parte do processo natural de desaceleração. Minha projeção para o PIB de 2005 é de crescimento de 3,5%. Mas pode aumentar, se ao longo do ano, o BC mudar sua política. Os dois primeiros meses do ano sempre são complicados, mas depois a inflação cai. Aí o BC pode começar a reduzir a Selic e abrir espaço para um crescimento maior da economia.

Sempre que se fala numa taxa de crescimento superior a 3,5% ao ano, volta o receio de que o Brasil pode encontrar gargalos pelo caminho e que pode paralisar o processo. Como resolver isso?

- A solução só virá com mais investimentos, que só virão com crescimento. Vale a pena ver o no que dá. Vamos ver se vai bater no teto.

Durante a semana, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, disse a empresários que o patamar de câmbio vai voltar a ficar mais competitivo para os exportadores. Dias depois, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, convenceu o presidente Lula de que o governo não deve interferir no câmbio. Em que isso vai dar?

- O desestímulo do câmbio pode levar a um baixo dinamismo exportador que, segundo várias projeções, pode fazer com que nossas exportações sejam nesse ano apenas um pouco superiores aos US$ 96,5 bilhões de 2004, ou mesmo apresentem valores inferiores.


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[16/JAN/2005]


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