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Ata do Fed reduz foco sobre inflação

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Ata do Fed reduz foco sobre inflação


ALUISIO ALVES

A repercussão provocada pelo teor da ata do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), divulgada no final da tarde de ontem, deve tirar dos investidores o foco nos números de inflação doméstica a serem divulgados hoje.

A preocupação dos diretores da autoridade monetária dos Estados Unidos com o efeito combinado da recente depreciação do dólar, com os elevados custos de energia e a possibilidade de desaceleração no crescimento da produtividade, como fatores de risco para a inflação do país, expressa no documento, foi percebida como sinal de que o aperto monetário em curso pode ser intensificado.

A reação dos investidores foi uma corrida aos títulos do Tesouro dos EUA, desfazendo-se de papéis de países emergentes. Assim, a taxa do bônus soberano de 10 anos subiu de 4,20% para 4,29%, ao mesmo tempo em que a queda das cotações dos títulos brasileiros fazia a taxa de risco-País dar um salto de 3,63%, para 399 pontos.

A Bovespa, outro mercado doméstico que ainda operava quando a ata foi divulgada, acentuou um movimento de realização de lucros já em curso e registrou em seu principal índice um desfalque de 3,40%, aos 24.848 pontos. Foi a maior queda diária em cinco meses.

O mesmo pessimismo deve atingir em alguma medida a abertura de hoje dos mercados de câmbio e de renda fixa. Os índices de inflação a serem divulgados hoje, como o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) e o Índice Geral de Preços no conceito de Disponibilidade Interna (IGP-DI), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), ainda devem ajudar a balizar expectativas para o rumo da Selic, mas agora poderão ter papel coadjuvante.

A preocupação de analistas de mercado é que o crescimento do volume financeiro da Bovespa nos últimos dois dias coincidiu com os momentos de perdas mais acentuadas dos índices, o que pode sinalizar um movimento mais prolongado de realização de lucros, movimento que pode se estender para papéis de empresas até há pouco tidas como benchmark no mercado, como as dos setores de siderurgia, mineração e petroquímico.

Esses papéis estiveram entre os que exibiram maiores perdas na véspera. O raciocínio é que a desaceleração econômica internacional provocada por uma elevação mais firme dos juros nos EUA poderia atingir em cheio as exportações dessas companhias.

Chubb troca comando no Brasil

Acacio Queiroz é o novo presidente da Chubb Seguros no Brasil. Ele substitui desde ontem Luis Fernando Mathieu, que foi promovido e passará a responder por marketing e planejamento estratégico da seguradora na América Latina.

E viva o agribusiness

Não é só na balança comercial que o agronegócio produziu recordes no Brasil em 2004. O volume financeiro com contratos agropecuários na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) deu um salto de 67,6% no ano passado, para US$ 7,85 bilhões.

Boi muito gordo

Um dos destaques na BM&F foram os contratos de boi gordo, que cresceram nada menos que 98,5% em relação a 2003, para 225,2 mil negócios.

Soja turbinada

Mesmo sendo o carro-chefe do agronegócio no Brasil, a soja ainda tem participação irrelevante no mercado de derivativos da Bolsa. Mas o crescimento de nada desprezíveis 862% no volume de contratos abertos com a oleaginosa em 2004 pode ser o primeiro sinal de que isso não vai durar muito.

Fecomércio divulga índice

A Fecomércio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) divulga hoje o resultado do IPV (índice de Preços no Varejo) referente ao mês de dezembro e ao ano de 2004.

Suzano anuncia

A Suzano Papel e Celulose promete para amanhã a divulgação de uma ''importante conquista que agrega valor à empresa e aos seus produtos''. A conferir.

Pretexto?

A venda agressiva de ações ocorrida ontem pode ter sido uma desculpa para investidores desovarem mais facilmente as ações com as quais lucraram bastante no final de 2004, segundo alguns analistas.


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[05/JAN/2005]


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