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Banco Central deve frear queda do dólar


SILVIA ARAÚJO

O Banco Central deve começar o ano comprando dólares no mercado à vista. A operação que tem como finalidade recompor reservas internacionais deve, também, evitar maiores preocupações dos exportadores. Com o dólar iniciando 2005 a R$ 2,65, as estimativas para as receitas com embarques de produtos brasileiros começam a ser revisadas para baixo. Os exportadores dizem que para dar continuidade ao forte ritmo de vendas, verificado ao longo de 2004, será necessário um dólar mais favorável.

A questão, no entanto, vai além das fronteiras, considerando a perda de terreno do dólar em relação às moedas internacionais. Nesse cenário menos favorável para o comércio exterior, o Brasil quer manter o ajuste do setor externo e reduzir cada vez mais sua necessidade de financiamento, a exemplo do que ocorreu em 2004.

Na renda fixa, o comportamento das projeções para as taxas de juros nos últimos pregões de 2004 indica que a Selic vai permanecer elevada por um prazo mais longo. A meta conservadora de inflação para 2006, de 4%, traçada no relatório trimestral de inflação de dezembro, em um ambiente de crescimento econômico, pode adiar cada vez mais a retomada dos cortes da Selic.

A sensação que se tem no mercado é de que o Copom só vai começar a flexibilizar a política monetária neste ano, quando constatar que a meta para o período está assegurada, o que, segundo analistas, deve ocorrer entre julho e julho. Até lá, a inflação deve ser pressionada pelos preços administrados, como tarifas de energia e telefonia.

Outra preocupação é com a possibilidade de recomposição de margens de lucros. A exemplo de anos anteriores, a inflação ficou represada no atacado, com as indústrias encolhendo ganhos para manter as vendas. As exportações, por sua vez, minimizaram as perdas, mas, segundo especialistas, ainda há custos que podem ser repassados para o varejo tão logo se encontre espaço.

Risco em baixa

O mercado financeiro não se surpreenderia se alguma agência de classificação de risco iniciasse o ano melhorando as notas atribuídas ao crédito brasileiro. A expectativa tem como pano de fundo o patamar mais baixo da história da taxa de risco brasileira: ao redor dos 370 pontos.

Troca

Outra expectativa forte para esse início de ano refere-se a uma troca de papéis da dívida externa. Considerando o atual patamar de risco, o custo de carregamento da dívida reestruturada, como C-Bond, torna-se a cada dia mais pesado para o governo. O papel é cotado acima de 100% do seu valor de face, mas embute um alto prêmio de risco.

Cenário favorável

Os economistas do Bradesco iniciam o ano projetando um dólar médio de R$ 2,80 para 2005 e de R$ 2,85 para dezembro.

Agora falta pouco 1

A aprovação das parcerias público-privadas (PPP) no Congresso, na ótica da Abdib, deixa importante sinal: quando há vontade e decisão política, as coisas andam. Em 2005, a entidade vai pressionar mais o Executivo e o Legislativo para construir e consolidar os marcos regulatórios setoriais e as agências reguladoras. ''O investidor precisa de ambiente seguro para injetar recursos'', diz Paulo Godoy, presidente da Abdib.

Agora falta pouco 2

A entidade acredita que, se houver a mesma disposição política e administrativa nos dois poderes, em seis meses é possível concluir a regulamentação dos fundos garantidores e o lançamento dos editais, próximas fases antes dos primeiros projetos de parceria surgirem.

Ver para crer

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, garantiu que a prioridade do governo neste ano, na Câmara dos Deputados, será a reforma tributária. A intenção é votar rapidamente a fatia da Proposta de Emenda Constitucional que trata da unificação da legislação do ICMS, criação de cinco faixas de alíquotas, instituição do Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR) e, conseqüentemente, do fim da guerra fiscal entre os estados.


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[03/JAN/2005]


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