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A economia brasileira vai crescer 5% em 2004

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A economia brasileira vai crescer 5% em 2004


A previsão é do economista-chefe do Unibanco Asset Management (UAM), Alexandre Mathias, às vésperas da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) doméstico do terceiro trimestre. Mas o executivo alerta que o ritmo de expansão deve cair para cerca de 3,5% em 2005 e que a volta aos níveis de atividade registrados neste ano depende do ainda incerto aumento dos investimentos em infra-estrutura.

O Ministério do Planejamento trabalha com uma previsão de crescimento de 4,5% do PIB de 2005. Mesmo levando em conta uma desaceleração do ritmo atual, sua expectativa não é pessimista?

Talvez. Para este ano, também houve quem previsse que o crescimento também não chegaria a 3% e todo mundo foi surpreendido. Mas para garantir crescimento sustentado, tem que trazer economia para um nível de expansão menor, até que os investimentos venham. Acredito que haverá uma desaceleração necessária em 2005 para voltar a níveis de 4% ao ano a partir de 2006.

E quais são os sinais de que esses investimentos virão? A troca na presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, foi um bom sinal do governo para atrair recursos?

Dá uma esperança. Vou acreditar mais nisso quando houver sinais mais concretos. Primeiro tem que ter a percepção de crescimento para o empresário, o que já é aparente e vai ficar configurada em 2005. A outra é o marco regulatório. Aí nós temos problemas. Os portos, por exemplo, têm gargalos com repercussões inflacionárias importantes. A agenda microeconômica está muito atrasada. Além disso, a estratégia comercial externa não me parece muito clara. O Brasil fechou acordos com países (Rússia e Índia) que não oferecem complementaridade para nossa economia. Temos que pensar no acesso aos mercados dinâmicos, assunto no qual nós estamos atrasados em relação a outros países, como Chile e México.

A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deste mês, divulgada na última quinta-feira, provocou muita controvérsia. Ao mesmo tempo em que a imprensa interpretou o teor do documento como um sinal de que vem por aí uma aceleração do ritmo de aperto monetário, o mercado derrubava as projeções para os contratos de juros futuros. Quem está certo?

O barulho foi causado por causa de uma única palavra. Nas últimas atas, o Banco Central vinha dizendo que vinha numa tendência de ajuste 'moderado' dos juros. No último documento, essa palavra desapareceu. Aí, muita gente passou a esperar uma aceleração na trajetória de alta, interpretando palavras sem entender o contexto.

Mas como entender a mensagem que o Banco Central quis passar na ata?

É importante entender o contexto. Desde quando começou a elevar juro, em setembro, o BC tinha três preocupações principais: a alta dos preços do petróleo, das expectativas de inflação e de um nível de crescimento acima do alta do PIB de 2005. Naquele momento, tudo indicava que, mesmo com aumento dos juros, era difícil convergir para a meta. A supressão do termo na ata não sugere uma ruptura. No todo, a ata está mais suave que a do mês passado e sinaliza que as condições para convergência mas metas melhoraram, embora admita que a tendência de inflação está rígida.

Nessa semana, a Petrobras determinou um novo reajuste nos preços dos combustíveis. A defasagem entre os preços domésticos e os internacionais acabou?

A grosso modo, a defasagem dos preços domésticos acabou. Mas isso não chega a ser uma boa notícia. A única diferença é adiantar o impacto na inflação: a de 2005 cai, mas a de 2004 acaba aumentando. A única vantagem é que esse aumento dá maior previsibilidade para a atuação do BC.

Qual é o impacto da manutenção do dólar em patamar inferior a R$ 2,80 sobre a inflação?

Sem dúvida é bom, mas o Brasil apenas acompanha um processo global de enfraquecimento do dólar. Apenas 20% da receita das nossas exportações vêm dos Estados Unidos. Em relação ao euro, por exemplo, o real tem seguido estável.


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[28/NOV/2004]


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