O recuo das cotações do dólar está conseguindo o que a política monetária pretende, mas até agora parece não ter dado muito certo: surtir efeito sobre as expectativas de inflação. Diante da projeção de um patamar mais baixo para o dólar no primeiro semestre do ano que vem, os economista da LCA Consultores estão estimando inflação, também, mais baixa.
Para o primeiro semestre de 2005, o câmbio médio estimado pela consultoria recuou de R$ 2,97 para R$ 2,87. Já a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5,90% para 5,80%. Os economistas da LCA dizem que a projeção para a inflação só não caiu mais porque o alívio cambial tende a ser compensado, em parte, pelo comportamento menos favorável das cotações externas das commodities industriais.
Analistas entendem que o Comitê de Política Monetária (Copom) manterá sua política restritiva na reunião de dezembro, mas preferem se posicionar só a partir da leitura da ata que será divulgada amanhã. Enquanto isso, as projeções para os juros tendem a apresentar relativa estabilidade. Ontem o contrato de juros mais líquido sinalizou taxa de 18,02% para a virada do primeiro trimestre do ano que vem, frente os 17,99% do dia anterior.
No segmento de câmbio, a combinação do recuo da cotação do dólar no mercado doméstico e da taxa de risco brasileira no mercado internacional torna o ambiente propício para uma emissão de papéis da dívida soberana. Pelo menos é o que se comenta pelas mesas de operações, principalmente, depois do sucesso obtido com a operação do banco Votorantim, que emitiu o equivalente a US$ 75 milhões em eurobônus, em moeda brasileira. No mês, o dólar já contabiliza perda de 3,9%. Ontem, fechou a R$ 2,745, com em baixa de 0,29%.
Melhora do risco
Enquanto o dólar se acomoda abaixo dos R$ 2,80, a taxa de risco-país ensaia romper para baixo a barreira dos 400 pontos. Para alguns analistas, isso vai depender do comportamento das cotações do petróleo no mercado internacional e da manutenção do recuo do dólar no mercado doméstico. A taxa brasileira fechou em 426 pontos.
Queda justificável
O Banco Central divulga hoje o resultado da conta corrente brasileira referente ao mês de outubro. Os economistas do Unibanco esperam que as transações correntes de novembro apresentem o menor superávit mensal em seis meses. O resultado reflete um calendário de pagamentos de juros mais elevados em outubro (o segundo mais alto do ano), bem como um superávit comercial mensal sazonalmente menor. Nos últimos 12 meses, no entanto, o superávit em conta corrente deve permanecer em alta, marchando para a marca de US$ 11 bilhões, em dezembro, conforme as estimativas do banco.
Bradesco fala japonês
Ao anunciar a parceria com o banco de varejo japonês UFJ, o presidente do Bradesco, Mácio Cypriano, disse: ''assim como somos o maior banco japonês no Brasil, seremos o maior banco brasileiro no Japão''. Cypriano lembrou que o Bradesco nasceu em Marília, interior de São Paulo, onde boa parte da população era formada por imigrantes japoneses.
Olho neles
A Embratel não confirma nem desmente que estejam em curso negociações de sua controladora, a mexicana Telmex, para a aquisição dos negócios da TIM no Brasil (e na América Latina). Perguntado sobre o assunto, o membro do conselho de administração e ex-presidente da companhia, Dilio Sergio Penedo, respondeu: ''O setor de telefonia ainda vai continuar se consolidado no Brasil''.
Hotelaria
A Accor Hotels, com 126 hotéis em operação em 50 cidades, prepara sua expansão no estado do Rio de Janeiro. O grupo, que administra cinco unidades na cidade, vai abrir, até 2006, outros sete empreendimentos no estado, incluindo dois hotéis em Macaé e um terceiro em Itaipava. Os novos hotéis, que demandarão investimentos de R$ 83,4 mil e vão gerar 328 empregos diretos, são Ibis e Formule 1, de bandeiras econômica e supereconômica, além das marcas Mercure e Parthenon.