Neste Natal, há boas chances de se ganhar um celular novo ou uma câmera digital. Pelo menos se depender das previsões dos lojistas, que apostam num crescimento de 30% a 35% das vendas de eletroeletrônicos no mês que vem. Para o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun, a expansão das compras a crédito vai fazer o setor liderar o crescimento em 15% do faturamento das lojas dos 572 shopping centers do País neste final de ano. Nada mau para os lojistas, que tiveram de amargar o encolhimento de 3% das vendas em 2003.
Mesmo com a elevação recente da Selic, os shoppings vão fechar 2004 com chave de ouro?
- Esse ano, até outubro, tivemos uma expansão de cerca de 10% em relação ao mesmo período de 2003. Com as vendas de Natal, esperamos que esse percentual fique entre 15% e 17%. O aumento do juro trouxe uma sensibilização negativa para lojistas e consumidores. Mas não a ponto de prejudicar a expectativa de crescimento das vendas. Tem alguns fatores que ajudam a amortecer esse impacto.
Quais?
- A elevação da taxa foi pequena e gradual, diferente dos choques de juros que aconteceram nos últimos anos. Isso dá certa segurança a quem compra. Tem o pagamento do 13º salário, que vai injetar R$ 30 bilhões na economia. No ano passado, o 13º foi usado principalmente para pagar dívidas. Desta vez, vai voltar para o consumo. Além disso, a concorrência acirrada impede os lojistas de repassar totalmente o aumento dos custos de financiamento. Eles sabem que quem repassar vai ficar fora do mercado.
A oferta maior de crédito deve ter algum impacto na escolha do tipo de presentes que os consumidores vão comprar?
- Crédito mais barato facilita compra de eletroeletrônicos. Isso vai fazer que esse Natal seja, mais uma vez, dos aparelhos como DVDs, telefones celulares e câmeras digitais.
Essa facilidade também não tem a ver com a necessidade de as lojas desovarem os estoques de aparelhos que já encomendaram?
- Isso também é verdade. Mas acredito que a tendência positiva deve se manter no começo de 2005, com os lojistas tendo que recompor os estoques.
Para o varejo, então, o aumento dos juros não teve efeito sobre as expectativas de crescimento do setor para o ano que vem?
- É verdade que o crescimento de 2004 teve a colaboração de outros fatores, além da queda da Selic, como o inverno vigoroso e a forte expansão das exportações, que ajudou na criação de novos empregos e no aumento da renda do trabalhador. Mas ainda não temos motivos para acreditar que haja alguma coisa que impeça o setor de continuar crescendo em 2005.
Qual o nível de contratações estimadas para as vendas de final de ano?
- Em princípio serão 70 mil postos temporários, 80% disso para vendas. Historicamente, 25% desse total acabam se transformando em empregos permanentes. Aqueles que se destacarem vão ficar.
Grande parte dos novos shoppings está sendo construída em cidades do interior. Essa tendência vai se manter?
- Das 53 unidades atualmente em construção, 60% estão no interior. Isso está sendo facilitado pelo desenvolvimento do agronegócio, que está criando demanda por este tipo de comércio. Os municípios estão percebendo que, quando não têm shopping, eles perdem receita porque os consumidores vão para outras cidades onde podem encontrá-los.
As vendas de Natal devem novamente se concentrar na última semana de dezembro?
- Você sabe, brasileiro não tem jeito. Acho que vai acontecer de novo. O que é ruim, porque na última hora falta variedade de produtos, o cliente compra mal, se irrita mais. Nós estamos consultando os lojistas para identificar os principais motivos disso, embora já saibamos de alguns. Às vezes, por causa do trabalho, as pessoas acabam deixando para a última hora. Mas às vezes é preferência mesmo.