Passado Fed, investidor aguarda Copom

SILVIA ARAÚJO

[11/NOV/2004]

Concluída a reunião do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), que sancionou as expectativas do mercado, analistas e investidores domésticos passam a concentrar as atenções na reunião do colegiado do Banco Central brasileiro. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na próxima semana e certamente vai considerar, em suas projeções para a política interna, o aumento gradual do juro norte-americano e o tom utilizado pelo Fed no comunicado divulgado após a decisão.

No documento, o banco central dos Estados Unidos informa que ''em razão das expectativas de uma inflação subjacente baixa, o Comitê acredita que a acomodação da política monetária pode ser feita de forma moderada. No entanto, o Comitê irá responder às mudanças nas perspectivas econômicas quando necessário, para cumprir com sua obrigação de manter a estabilidade dos preços.''

O tom de gradualismo, aliado ao preço do petróleo abaixo dos US$ 50, pode aliviar um pouco a pressão sobre as expectativas de juros no Brasil. Tanto que o mercado, que no começo da semana falava em aumento de 0,75 ponto percentual para a Selic, já está reduzindo a estimativa para 0,50 ponto. Atualmente a taxa básica está em 16,75% ao ano.

As primeiras prévias de inflação de novembro subiram em relação a igual período do mês anterior, ratificando as apostas do mercado em torno de mais um ajuste para a Selic, com objetivo de convergência dos preços para os 5,1% em que o BC está mirando para o ano que vem. A meta oficial ainda é de 4,5%, com dois pontos percentuais de tolerância.

Inflação em alta

Mais um indicador de preços, desta vez, o que baliza a meta do governo, será divulgado hoje. A expectativa entre analistas é de que o IPCA de outubro vá ficar em torno de 0,46%, contra 0,33% de setembro. A exemplo dos indicadores do mês passado, já divulgados, o IPCA também será influenciado pelos preços administrados, como combustíveis.

Palavra de ministro

O fluxo comercial continua patrocinando a tendência de queda do dólar, que tem sido negociado entre R$ 2,82 e R$ 2,85. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, deu mais uma ''mãozinha'' para manter esse intervalo de oscilação para a moeda. Segundo Palocci, o saldo em transações correntes desse ano pode fechar positivo em US$ 10 bilhões, impulsionado pelos US$ 100 bilhões esperados das exportações.

Crédito

Os bancos devem aumentar os recursos disponíveis nas linhas de financiamento para o 13º salário, em razão da demanda apresentada pelas empresas. A taxa de juros para esse tipo de crédito está variando entre 3% e 4% ao mês, conforme levantamento da InvestNews. Os dados do Dieese apontam que até o final de 2004, pouco mais de R$ 40 bilhões devem ser injetados na economia brasileira com o pagamento do 13º salário. O montante, cerca de 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, inclui todos os trabalhadores do mercado formal. Mas, considerando outras relações no mercado de trabalho, o montante supera os R$ 70 bilhões.

Investimentos

As indústrias que mais investem na modernização de processos são as dos setores petroquímico, siderúrgico, papel e celulose e farmacêutico. Embora o segmento de tecnologia para automação industrial esteja crescendo entre 15% e 20% ao ano, a demanda reprimida de investimentos em áreas específicas como energia elétrica e telecomunicações, a carga tributária e a ausência de crédito, inibem a expansão deste mercado. A observação é do presidente do Distrito 4 da ISA (The Instrumentation, Sytems and Automation Society), Nelson Ninin.

Carro novo

A Sul América Capitalização lança o Super Fácil, voltado para o planejamento da compra do carro, fruto de uma parceria entre a companhia e o ABN Amro Real. Com a parceria, a empresa espera atingir a marca de mais de 200 mil títulos vendidos nos próximos três anos.

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