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Inflação ensaia alta e juros futuros sobem


SILVIA ARAÚJO

A inflação ensaia um movimento de alta, já influenciada por repasses setoriais de preços. Mais do que a surpresa com o avanço de 0,62% para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em outubro, contra 0,21% de setembro, os investidores se depararam com o aumento dos preços do álcool e, conseqüentemente, da gasolina. Em resposta, as projeções para as taxas de juros se deslocaram para cima. O contrato de abril indicou 17,84%, ante 17,71% do ajuste de anterior.

Boa parte dos postos reajustou, ontem, o valor dos combustíveis. O álcool subiu 14% em média e resultou em uma elevação de 2,9% para a gasolina (a gasolina é composta por cerca de 25% de álcool). O movimento alimentou ainda mais as expectativas do mercado quanto a uma nova majoração dos preços dos combustíveis por parte da Petrobras. A percepção de alguns analistas é de que o anúncio deve ser feito nesta semana.

Se as estimativas se concretizarem e a gasolina e o óleo diesel subirem logo, a inflação de novembro pode se deslocar para um patamar mais alto. A desaceleração de alguns preços poderia servir para amortecer essa pressão sobre os índices.

Os economistas do Bradesco também observam em relatório que os combustíveis podem continuar pressionando o conjunto dos preços administrados nas próximas semanas. Por outro lado, dizem que a tendência é de arrefecimento da alta das tarifas de telefonia, água e esgoto. Os especialistas do banco também chamam a atenção para a maior incidência de repasses do atacado para o varejo, detectada pelo IPC-Fipe de outubro.

Fluxo x petróleo

O fluxo comercial, mais uma vez, foi a contrapartida para um ambiente externo menos favorável. A cotação do petróleo fechou em alta de 1,61% em Nova York, para US$ 49,61, ao mesmo tempo em que os indicadores de emprego da economia norte-americana mostraram criação de postos mais alta do que a esperada, o que pode sugerir um aperto monetário. O dólar comercial fechou praticamente estável em relação ao dia anterior, a R$ 2,821 na venda.

Peso dos administrados

O conjunto dos preços administrados, apesar de representar apenas 25% do IPC-Fipe cheio, teve uma contribuição de 0,31 ponto percentual para o 0,62% registrado pelo indicador no mês de outubro.

Disputa judicial

A disputa pela famosa marca All Star teve mais um capítulo. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) cassou a decisão da 13ª Vara Cível de São Paulo, que proibia a empresa All Star Artigos Esportivos de fabricar o produto no país. A autora da ação judicial - a Converse, dos Estados Unidos - está tentando desde 1984 impedir a fabricação e a comercialização do tênis pela All Star brasileira. A empresa nacional, no entanto, começou a produzir o tênis na década de 70 e, em 1978, obteve o certificado da marca, fornecido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Agora duas empresas vendem a mesma marca no Brasil.

Crédito consignado

A Caixa Econômica Federal é pioneira na concessão da linha de crédito consignado aos beneficiários do INSS. No final do ano passado, o banco tinha 493 mil contratos em carteira. Comparando as contratações já realizadas neste ano, a instituição obteve um crescimento de mais de 104%. Até final de outubro, a Caixa fechou 305.555 contratos, gerando um total de empréstimos de mais de R$ 886,1 milhões.

Agenda

Dennis Giacometti, sócio-diretor da Giacometti Propaganda e Arquitetura de Negócio, estará entre os palestrantes do principal evento na área da gestão do país, a Expo Management World Brasil, que se realiza de 8 a 10 de novembro, em São Paulo. Cerca de 20 mil executivos participarão do evento, que contará com palestras de especialistas internacionais como Regis McKenna, Roger Merrill, Ram Charan e Jack Welch. Entre os líderes empresariais nacionais participam Abílio Diniz, Eugênio Staub, Maria Sílvia Bastos Marques e Ozires Silva.


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[06/NOV/2004]


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