A Gradiente está completando um ano de retomada das operações de telecomunicações. Desde outubro de 2003, quando assumiu novo posicionamento no mercado, ao oferecer celulares com tecnologia GSM, a empresa conquistou 7% dos usuários dessa tecnologia e 2% do mercado total. Os investimentos no período somam US$ 10 milhões. A expectativa é atingir 10% do mercado de GSM até o final do ano, o que elevaria a participação total para algo entre 3% e 4%.
Lúcio di Domenico, Gerente Geral da Gradiente Telecom, nesta entrevista exclusiva, conta os planos da empresa para vendas na América Latina, o que deve acontecer a partir do ano que vem. Entre as grandes operadoras, a Gradiente fornece equipamentos GSM para TIM, Claro, Brasil Telecom e OI. Também passará a atender a Vivo, com a tecnologia CDMA.
Qual o principal plano para 2005?
- O ano que vem é de consolidação da operação. A dinâmica do mercado vai permitir que a empresa chegue a 3 milhões de celulares vendidos no ano que vem. Outro grande passo da empresa é expandir para a América Latina. Dos 3 milhões de aparelhos que estimamos vender no ano que vem, 2,5 milhões correspondem à tecnologia GSM e outros 500 mil a CDMA.
O que leva a apostar na vendas externas?
- A Gradiente teve uma fábrica no México na década de 70. Recentemente, fizemos uma pesquisa de mercado e verificamos que a marca ainda é bastante lembrada no país. Os consumidores mexicanos têm uma lembrança positiva da Gradiente. Com isso, decidimos que a base para a América Latina será no México, o que deve acontecer até o fim do primeiro semestre do ano que vem. No mercado doméstico, pelo segundo ano consecutivo, a empresa está entre as três marcas de celulares mais lembradas, de acordo com a pesquisa do Top of Mind.
Como ampliar vendas no mercado doméstico, se, quanto mais se agrega tecnologia aos aparelhos, mais caros eles se tornam?
- O ganho de escala vai fazer com que o preço dos aparelhos seja reduzido. A tendência é de os aparelhos agregarem cada vez mais tecnologia. Um exemplo são os celulares com tela colorida. A estimativa é de que entre o ano que vem e 2006 não existam mais aparelhos com tela em preto-e-branco. Isso já é tendência na Europa. Assim acontece com todos os benefícios agregados aos celulares, como as máquinas fotográficas.
Uma pesquisa recente mostrou que o índice de troca de aparelhos no Brasil é muito alto, considerando-se a renda do país. Por que isso ocorre?
- O celular mudou o hábito de comunicação entre as pessoas. Trata-se de uma mudança de comportamento. Os aparelhos, por sua vez, estão cada vez mais modernos e sofisticados. A rápida inovação tecnológica do setor faz com que a vida útil de um celular no Brasil seja de cerca de um ano e meio. Para se ter uma idéia dessa inovação, 30% dos telefones celulares na Europa possuem câmeras fotográficas integradas. No Brasil isso acontece com apenas 5%, mas o mercado está em expansão. No caso brasileiro, o barateamento dos aparelhos deve ocorrer com a curva crescente de vendas. No Brasil a troca também foi bastante acelerada em razão da migração dos sistemas TDMA, CDMA e GSM. Com isso, as próprias operadoras acabaram forçando a troca, o que tem contribuído no último um ano e meio para a comercialização dos aparelhos.
Há mais trocas do que consumidores novos?
- A troca ainda ocorre em proporção menor. No total das vendas, a proporção, hoje, é de 60% de novos usuários e 40% de troca. Segundo a Anatel, em setembro de 2004 o número de linhas celulares no país totalizava 58 milhões, contra 46 milhões de dezembro do ano passado.
Esse mercado (de aparelhos) tem muita concorrência?
-Para ser competitivo no Brasil, é preciso ter fabricação local. Na outra mão, você tem que ganhar escala mundial na tecnologia. Desde outubro de 2003, quando começamos a operar o GSM, os investimentos somaram US$ 10 milhões, justificáveis pelo potencial da operação. A tendência daqui para frente é só crescer.