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Decisão do Copom pode ser a mais difícil do ano


SILVIA ARAÚJO

Investidores e analistas começam a semana divididos em relação ao resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece amanhã e depois. Mesmo com a mudança repentina de aposta que aconteceu na sexta-feira, uma parte do mercado ainda estima manutenção da taxa básica nos atuais 16% ao ano. Os indicadores de inflação que foram divulgados ao longo da última semana (IPCA, IGP-DI e IGP-M) fizeram com que boa parte dos investidores que projetava aumento de 0,25 ponto para a Selic passasse a trabalhar com expectativa de alta de 0,50 ponto percentual.

Outros economistas entendem que, como já é tradição entre os integrantes do Comitê, os diretores do BC podem querer aguardar pelo movimento de acomodação dos preços antes de promover alteração do juro básico. De fato, essa deverá ser uma das reuniões mais difíceis do Copom. De um lado, os diretores do BC estarão analisando indicadores favoráveis da economia, como crescimento da produção industrial, do Produto Interno Bruto no semestre, emprego, renda, exportações, e do outro, estarão projetando o impacto desses indicadores e das expectativas mais positivas sobre o preços.

A sondagem realizada pela InvestNews com 22 instituições financeiras antecipa o clima que deve permear a reunião do Copom. Dos bancos consultados, oito apostam em manutenção, 11 acreditam em elevação de 0,50 ponto percentual e apenas três estimam aumento em 0,25 ponto percentual.

Dólar a R$ 2,90

A emissão brasileira de 700 milhões de euros na semana passada, somada à melhora das notas de crédito da dívida do país, pela agência Moody's, aumenta a expectativa de emissões de papéis no exterior por parte dos bancos e das empresas, conforme chamam a atenção os analistas do Banco Santos. A CSN pretende emitir US$ 200 milhões e o Banco do Brasil, cerca de US$ 350 milhões. Essas operações contribuiriam para manter o dólar ao redor dos R$ 2,90.

Pode cair mais

Os economistas dizem ainda que, se as perspectivas de novas captações externas, principalmente do setor privado, se confirmarem, há chances de a cotação da moeda americana buscar os R$ 2,85.

Pode desacelerar

Depois do forte ritmo sustentado pela indústria brasileira no bimestre maio-junho, já se nota uma redução no ritmo da atividade. Os analistas da LCA Consultores dizem que nos próximos meses a produção vai continuar a se expandir, mas mostrando desaceleração, por conta, principalmente, do menor crescimento do comércio internacional e da desaceleração do consumo interno de bens duráveis.

No final, a taxa é de crescimento

Apesar do ritmo mais lento daqui para frente, os economistas da LCA estimam que a indústria vai crescer 7,6% neste ano, com forte contribuição da indústria automobilística, que em agosto mostrou alta de 47,6% na produção de veículos automotores, na comparação de agosto do ano passado. Esses dados se somam aos demais agregados do Produto Interno Bruto e devem levar a economia a crescer 4,5% em 2004.

Confirmado pelo mercado

A pesquisa de mercado que o Banco Central realiza com cerca de 100 instituições financeiras deve confirmar o clima de melhora de perspectiva para a economia neste ano. A última edição do levantamento mostrou que, na média, os analistas do mercado esperam que o PIB vai crescer 4,23%. Uma semana antes, a projeção era de 4%. Hoje, esse percentual pode se aproximar de 4,5%. A mesma pesquisa, no entanto, pode trazer deterioração das expectativas para os indicadores de inflação e juro.

Governança

A Mercer Human Resource Consulting, consultoria americana global em Recursos Humanos, divulga nesta semana pesquisa sobre Governança Corporativa para Fundos de Pensão. O levantamento foi respondido por 82 entidades e o que chama a atenção é que 34% das empresas não têm esse conceito formalmente implantando do dia-a-dia das atividades da entidade.


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[13/SET/2004]


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