A divulgação do resultado semanal da balança comercial foi adiada para hoje. Isso facilitou o trabalho de quem especulou contra o real, aproveitando que o feriado na maior parte dos mercados europeus e americanos reduzia a oferta de dólares no país.
A alta de 3% na moeda americana, contudo, dificilmente traduz por si só uma tendência no câmbio.
Marcelo Mesquita, do UBS, argumenta que no front econômico os resultados fiscais e monetários têm sido amplamente favoráveis, tirando do horizonte a sombra de um ''Plano B'', opção à ortodoxia de Antonio Palocci e baseado em controle de capitais ou intervenção nos mercados. O que deixa por conta da política a dose de insegurança ainda prevalecente entre os investidores.
Criador e criaturas
Fernando Henrique Cardoso repete sempre que pode o mantra de que não é candidato a nada no momento e que o Instituto criado por ele foca questões estruturais. OK, acreditemos.
Mas que soa uma ironia e tanto a organização de um grupo para discutir marcos legais estáveis e atração de investidores no momento em que tramita o projeto do governo limitando o poder das agências reguladoras criadas por FHC, lá isso soa.
Exame com lupa
As operações do mercado futuro chamam a atenção da Receita, da Polícia Federal, do Banco Central. Só falta o Van Helsing. Caça-vampiros.
Maratona energética
Com nove horas de duração prevista, ocorre hoje em Brasília a apresentação dos mecanismos de compra e venda de energia do novo modelo do setor.
A exposição ficará a cargo de Maurício Tolmasquim, secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia.
Como a MP deixou a maior parte dos pontos fundamentais por conta da regulamentação, pode-se prever uma enxurrada de questionamentos. A corrida dos grandes consumidores, como os fabricantes de alumínio, para fechar contratos com geradoras e distribuidoras dá bem a medida da incerteza predominante entre os agentes.
Atendendo a pedidos
O split de ações da Vale do Rio Doce, dividindo cada papel em três, atende a um pleito antigo. Um acionista minoritário, raro espécime de investidor individual num mercado cada dia mais impessoal, insistia na medida praticamente toda assembléia. Desde bem antes da privatização, em 1998.
Cinema a postos
O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes, que reúne as bandeiras Agip, BR, Esso, Ipiranga, Repsol, Shell e Texaco, apresentará em primeira mão, na feira Expo Postos & Conveniência 2004, no final de junho, em São Paulo, um filme-denúncia sobre adulteração de combustíveis. O objetivo é alertar o consumidor e dar dicas de como ele pode deixar de ser vítima desta fraude.
De passo trocado
Esgotado o impulso pela inclusão na carteira do Morgan Stanley, as ações da Klabin caíram. Na contramão do setor, em alta.
Jogando de dupla
O acordo entre a Light e os credores, Unibanco à frente, avançou muito. O plano de reestruturação apresentado pela direção da empresa foi aceito em princípio.
O ajuste fino cabe agora a Francisco Gomide, ex-ministro das Minas e Energia, na checagem de programas. E ao ex-presidente da Eletrobrás José Luiz Alqueres, no acompanhamento da gestão cotidiana.
Mulheres e crianças primeiro!
Sai esta semana, se tudo correr bem, a votação da medida provisória reorganizando o setor naval. A expectativa maior cerca a proposta de usar parte dos recursos para um fundo de aval, substituindo a exigência de garantias para armadores e estaleiros.
Sem esta modificação, a difícil situação financeira da maioria das empresas dará ao atual programa o mesmo destino do Navega Brasil de FHC: o naufrágio.
Com Carla Falcão