Revanche elétrica

[01/MAI/2004]

Depois da longa batalha da Eletropaulo, BNDES e AES voltam a se enfrentar. O mote agora é o calote na dívida pela compra de um terço da Cemig, distribuidora de energia na Minas Gerais de Aécio Neves. As parcelas em atraso somam US$ 750 milhões, 75% do originalmente contratado. A briga promete ser tão ou mais dura desta vez.

Choque de interesses

A AES tem como aliados a Southern e o Opportunity. E o argumento de que o governo estadual quebrou o contrato, ao obter judicialmente a retirada do direito de veto do consórcio privado sobre investimentos da companhia e a demissão dos diretores e conselheiros indicados pelo grupo.

Minas onde sempre esteve

O BNDES, para quebrar o impasse, admite receber as ações da Cemig em pagamento ou financiar a recompra pelo governo mineiro. O desafio é convencer a equipe de Aécio Neves. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Wilson Brumer, é de uma franqueza que contrasta com os estereótipos a respeito das Alterosas.

- Não temos dinheiro para isso. Se tivéssemos, o Estado tem outras prioridades, maiores e por vezes mais baratas.

Herança maldita

A manobra do ABN-Amro, transformando o Sudameris em subsidiária integral para não ter de pagar tag along (extensão do prêmio de controle aos minoritários), explora uma brecha legal descoberta por Marcelo Trindade. Que vem a ser o advogado proposto pela Fazenda para suceder Leonardo Cantidiano na presidência da Comissão de Valores Mobiliários. Fundos e corretoras minoritários em companhias abertas torcem para que a mudança de lado do balcão tr guinada na posição de Trindade. Caso contrário, o tag along vira letra morta e a Lei das SA entra para o rol das que não pegaram.

Temor justificado

Teme-se que Telesp Celular e Suzano, derrotadas nas tentativas de incorporação de Tele Centro Oeste e Bahia Sul, sintam-se tentadas a explorar o atalho da transformação da controlada em subsidiária integral de uma companhia fechada.

Papel em alta

Primeira empresa brasileira a emitir ADRs, a Aracruz deve anunciar, em breve, uma nova emissão de papéis no mercado internacional. A operação é de US$ 150 milhões, com prazo de oito anos.

Para os endinheirados

O Itaú Personnalité - segmento do Itaú que atende clientes de alta renda - deve aumentar em 30% sua base de clientes no Rio de Janeiro até o final de 2004. Para isso, o banco está expandindo a rede de agências no Estado.

Esta semana, serão inauguradas duas novas agências: uma em Copacabana e outra na Tijuca. O Rio é hoje a segunda cidade com maior concentração de unidades Itaú Personnalité.

Pé atrás

Quem procura o embaixador Sebastião do Rêgo Barros para cumprimentá-lo pela recondução de Nilton Monteiro à diretoria da Agência Nacional de Petróleo ouve uma resposta no mínimo cautelosa:

- Festa só depois de o nome sair no Diário Oficial da União.

O ex-deputado Luiz Alfredo Salomão perdeu o dinheiro gasto para imprimir os cartões da posse na ANP. Não passou nem na sabatina do Senado.

Em que o maior partido segue o mesmo PMDB que pregou uma peça em Salomão e agora está de olho em todas as vagas que aparecerem.

Corrida de obstáculos

Um alto executivo da Telemar aposta que a Oi será a segunda maior operadora nos 16 estados em que atua até o fim do ano que vem. A Claro teria ficado para trás.

Com Carla Falcão

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