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Ilusão de ótica


A Merrill Lynch prevê uma nova invasão de bancos estrangeiros no mercado brasileiro, como a ocorrida na primeira fase do Plano Real, alavancada pelo processo de privatização. A motivação é a mesma, a expectativa de um crescimento exponencial da demanda de crédito, puxando o lucro do setor.

Só que o mecanismo prioritário agora será a aquisição de instituições privadas. O alvo primordial seria o Unibanco.

A ressalva é que as mudanças promovidas pelos controladores, como a unificação do comando por Pedro Moreira Salles e a expansão em financeiras e corretagem, não sugerem nem de longe o desejo de venda.

Ofensiva multimídia

Fechada a compra da Embratel, a Telmex usará seu fôlego financeiro para uma campanha agressiva de expansão na telefonia local e na transmissão de dados.

Uma arma esperada por analistas é a retomada das negociações para a entrada na Net (antiga Globo Cabo), aproveitando a estrutura de cabeamento nos maiores mercados do país.

Outra, temida pelas teles fixas, é a oferta de telefones residenciais e comerciais sem a cobrança da assinatura básica.

Não por acaso, as ações da Embratel subiram 10% com o aumento da oferta da Telmex para US$ 400 milhões. E as da Net, 10%.

Invencível armada

O BBVA, recém-saído do Brasil, será, ao lado do Citibank, o comprador mais agressivo. O sucesso do rival Santander no país explica.

Muito barulho por nada

Fundador do Pactual, Luiz Cesar Fernandes resumiu numa fórmula engenhosa a excessiva especulação em torno dos juros americanos:

- As pessoas ouviram o Alan Greenspan e imaginaram o Paul Volcker, que elevou as taxas de 3% para 20% em um ano. Nada sugere a mesma disparada, ao menos a curto prazo.

Bateu, levou

Os governadores temem que as concessões do governo ao funcionalismo gerem pressões sobre os caixas estaduais. Ao mesmo tempo, cuidam de engrossar o coro dos descontentes, marcando uma reunião em Brasília para cobrar repasses federais.

No centro da insatisfação, está o crescimento das exportações. Com a reforma tributária feita ano passado, os estados deixaram de arrecadar. Vem aí a cobrança das compensações junto à União.

Desafio crescente

Não é à toa que o lobby dos bancos privados contra o BNDES está crescendo. As operações diretas com grandes empresas, sem intermediários, já somam 40% da carteira.

Rota de colisão

A muito custo, o Planalto enquadrou as diretorias de estatais sobre a necessidade de abrir espaços para os aliados, PMDB à frente. A demissão de Luiz Pinguelli Rosa indicou que Lula não pouparia nem fundadores do PT.

Ainda assim, a batalha segue dura. O Planalto quer promover Paulo Roberto Costa, da TBG, para o Abastecimento, a cargo de Rogério Manso desde o governo passado. Encantado com o trabalho de Manso, José Eduardo Dutra prefere a saída de Ildo Sauer. Da área de Gás e Energia, a mesma de Costa.

Contra Dutra, senador eleito, não vale o argumento de que ele não garante um voto.

Turbulência no horizonte

A mudança na presidência da US Airways, uma das principais companhias regionais americanas, afetou a Embraer. Os papéis da empresa caíram, depois que foi anunciada uma revisão geral de contratos na americana.

Com Carla Falcão


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[23/ABR/2004]


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