A reestruturação financeira da Light está muito perto da conclusão, depois que os credores garantiram o acesso aos conselhos da companhia. Só que uma queda-de-braço entre o BNDES e os bancos privados dificulta um acordo definitivo.
Os principais credores, antes de aderir à rolagem da dívida, querem que o BNDES garanta a liberação dos recursos do programa de compensação das distribuidoras pelos prejuízos do racionamento.
E a diretoria do banco estatal, Carlos Lessa à frente, mostra-se irredutível: o dinheiro só sai depois da capitalização da empresa pelos bancos privados e pelos controladores.
Sem esses pré-requisitos, nem um centavo.
Efeito colateral
O turismo não é a única atividade duramente afetada pelos episódios de violência no Rio. E nem a cidade é a única prejudicada. Multinacionais têm encontrado dificuldade em transferir quadros para o Brasil. Como já acontecia com Venezuela e Colômbia.
Bode na sala
A reação dos investidores estrangeiros e concessionários privados de serviços públicos aos contratos de gestão impostos às agências reguladoras está sendo muito desfavorável.
Tanto que espera-se o abrandamento do dispositivo pelo Congresso.
Saindo do armário
Quem comprar a Embratel terá de lidar com um enorme passivo oculto. É que a Receita Federal retomou os planos de cobrança de R$ 1,5 bilhão correspondentes a tributos da época de estatal, deixados em suspenso para facilitar a privatização.
Pressão no caixa
O volume de investimentos e o desembolso na compra de equipamentos e serviços ligados aos programas de expansão estão crescendo muito na Petrobras. Muito mesmo.
Fornecedores já se mostram apreensivos. Temem a imposição de prazos maiores em novos contratos com a diretoria de José Eduardo Dutra.
De olhos bem abertos
Executivos das operadoras de telefonia fixa deverão acompanhar a missão do governo federal à China, em maio, para estudar o mercado local de banda larga.
A idéia é trazer para o Brasil tecnologias e serviços capazes de atrair um número maior de assinantes para a Internet de alta velocidade, ainda pouco popular. Hoje, existem apenas 1,5 milhão de usuários.
Granjas em fúria
Causou indignação entre executivos do agronegócio o relatório da Fitch sobre a gripe aviária e o Brasil. Particularmente o trecho em que a agência adverte para um risco de problemas de abastecimento no país, por conta da alta das cotações internacionais.
A exportação, mesmo crescente, não ultrapassa 20% da produção local. E a demanda no país vem caindo desde o ano passado. A sensação é de que os técnicos da Fitch, neste caso, ouviram o galo cantar mas não souberam interpretar de onde.
Transição eterna
Impossibilitados pelos fatos de empregar os conceitos da revolução permanente, os ex-trotskistas do governo recorrem à transição sem fim. Boa explicação para a influência direta de expoentes da equipe econômica de Fernando Henrique Cardoso no time atual da Fazenda.
O futuro presidente da Comissão de Valores Mobiliários, Marcelo Trindade, trazido originalmente à autarquia por José Luiz Osório para uma superintendência, volta num posto superior por indicação de Arminio Fraga.
Cujas conversas com Antonio Palocci vão além. Muito além, por sinal.
Brilho da limpeza
A Bombril foi o grande destaque de ontem, com alta de 15,08%. O volume negociado foi de R$ 1 milhão em ações, dez vezes a média dos últimos trinta dias. O desempenho excepcional deve-se ao anúncio de que a companhia liquidou as dívidas em atraso. Entre títulos protestados e cheques devolvidos, a empresa acumulava 658 documentos.
Com Carla Falcão