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Engarrafamento político


As denúncias contra Waldomiro Diniz, ex-assessor parlamentar do Planalto, trazem problemas para o governo em ritmo crescente. A substituição do ministro dos Transportes, Anderson Adauto, está demorando mais do que o previsto, por conta dos estragos na imagem do provável sucessor, o prefeito de Manaus, Alfredo Nascimento.

Não bastassem as dificuldades regionais, que adiam sua saída do governo da capital amazonense, Nascimento sofre o desgaste de sua indicação ter partido do deputado Bispo Rodrigues, do PL carioca.

Rodrigues, antes o homem de confiança de Edir Macedo, foi afastado do comando da Igreja Universal do Reino de Deus, por conta das denúncias de ligação com Waldomiro, a quem indicara para presidir a Loterj.

Teoria da relatividade

Coincidências de agenda no mínimo incômodas com dirigentes do PT não impediram que as empreiteiras ainda tenham R$ 180 milhões a receber do governo. A Fazenda liberou R$ 140 milhões, retomando um processo de zeramento de dívidas por obras em rodovias, interrompido em agosto.

Pesos e medidas

Os números cogitados para o Pro-Mídia, o programa que permitiria aos meios de comunicação receberem créditos do BNDES, explicam bem o porquê das emissoras se dividirem. A Globo, mais endividada, precisa de R$ 600 milhões, o triplo de todas as demais redes de televisão. A Record, por exemplo, contenta-se com R$ 50 milhões.

Escaldada com disputas políticas e tentativas de fritura, a diretoria do BNDES repassou ao Planalto a decisão final.

Briga com data marcada

Em julho, o mais tardar, o BNDES ficará sem condições de aprovar novos empréstimos, sob pena de expor-se demais a risco. A mudança nos critérios de contabilização de dívidas e créditos externos pelo Banco Central impediu que o problema ocorresse já no ano passado.

Agora, contudo, com a ampliação do orçamento do banco presidido por Carlos Lessa para R$ 47 bilhões, o patrimônio líquido ameaça tornar-se insuficiente.

Daí a nova rodada de negociações com o Tesouro para a capitalização do banco. O ideal seriam R$ 15 bilhões, para viabilizar os programas de infra-estrutura, mas um terço disto já daria uma folga expressiva.

Duro vai ser dobrar o Joaquim Levy, que resistiu bravamente 2003 inteirinho...

A perder de vista

Um detalhe ameaça atrasar ainda mais a reestruturação da Light. O contrato de dívida entre os bancos exige unanimidade na tomada de decisões. Acerto praticamente impossível diante da existência de mais de 20 credores, entre instituições financeiras nacionais e estrangeiras.

Longe de um acerto e mais distante ainda de qualquer ajuda do governo. Ainda assim, há quem esteja trabalhando, nos bastidores, para ocupar a presidência da distribuidora.

De olho na banca

Um grupo de cassinos americanos, durante do governo FHC, sondou o mercado brasileiro. Desistiu diante da concorrência predatória. Nos EUA, o IR é semanal e só dois estados permitem esse tipo de jogo. Aqui, o apetite dos governos estaduais impediu estas normas.

Apoio por exclusão

Em relatório recente, o banco americano de investimentos Bear Stearns avalia, a partir do preço das ações da Eletrobrás, que o mercado já precificou a saída de Luiz Pinguelli Rosa do comando da empresa.

O banco reconhece o presidente da Eletronorte, Silas Rondeau Silva, ''promovido politicamente pelo senador José Sarney'', como o possível novo ocupante do cargo.

O Bear admite que preferiria um nome que não estivesse relacionado ao PMDB, mas acrescenta: ''entre todas as possíveis indicações feitas pelo partido, Rondeau é certamente o melhor''.

Troca de guarda

Em 15 dias, no máximo, a BB DTVM e os fundos de pensão anunciam o substituto do Opportunity no antigo CVC nacional.

Com Carla Falcão


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[01/MAR/2004]


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