Esperança em alta

[06/FEV/2004]

As negociações no Senado estão deixando os dirigentes das associações empresariais um pouco mais otimistas com o novo modelo do setor elétrico. A distinção entre energia velha, de usinas já amortizadas, e nova, de futuras e recém-construidas, deve ganhar uma regra de transição.

Boa notícia para quem investiu em capacidade nova, como a Tractebel e a Duke.

Outra mudança com boas chances é no prazo para o fim do self-dealing, a compra de carga junto a geradoras do mesmo grupo. Reflexo do peso político dos governadores do Paraná, Roberto Requião, e de Minas Gerais, Aécio Neves.

Peru de fora

Fundos estrangeiros e bancos de investimento estão operando pesado para sustentar as cotações do Banco do Brasil.

A meta é garantir um patamar favorável à emissão de papéis no exterior. Com o conseqüente ganho de liquidez para os ADRs, negociados na Bolsa de Nova York.

No centro da crise

O Morgan Stanley atuou forte na venda. Nenhuma das ações mais líquidas, de Vale à Telemar, escapou da sanha.

Martelo batido

O governo decidiu não recomprar os C-bonds, títulos mais líquidos da dívida externa. Nas sondagens, o prêmio exigido pelos investidores para a troca revelou-se muito alto. Palavra de interlocutores freqüentes da equipe de Antônio Palocci.

O prazo para a troca vence mês que vem.

Façam suas apostas

A escolha da tecnologia GSM pela Telemig Celular reduz, de cara, as possibilidades de a empresa ser comprada pela Vivo, que opera em CDMA. A decisão da operadora móvel presidida por João Cox leva ainda os analistas do setor a um jogo de adivinhação.

A opção da Telemig Celular tanto pode indicar que não há intenção de venda - já que excluiu um dos dois grupos mais interessados - como também que o negócio está praticamente fechado. Neste caso, a favorita é a Claro.

Mordido de cobra

Funcionários próximos ao diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, estão reticentes ao falar com o executivo. A alegação é de que, a qualquer ressalva ou crítica a seu trabalho, Sauer alega estar sendo perseguido.

Telhado de vidro

Um dos maiores defensores da decisão do Cade de reprovar a compra da Chocolates Garoto pela Nestlé, Gesner de Oliveira presidia o conselho na época de criação da Ambev.

Oliveira também foi um dos pareceristas contratados pela Kraft Foods, detentora da Lacta, no processo envolvendo a Garoto.

Incompatibilidade de gênios

A presidência da Eletrobrás e diretorias da Petrobras entram no bolo do PMDB. Relator da MP 144, que reformula o setor elétrico, o senador Delcídio Amaral assegura a colaboradores mais próximos que a mudança é iminente. Escolhido diretamente por Lula, Luiz Pinguelli Rosa sente-se firme no posto.

Pegos no contrapé

A matriz da Nestlé ficou surpresa com a decisão do Cade de anular a compra da Garoto. O presidente da subsidiária brasileira, Ivan Zurita, passava confiança e otimismo.

A multinacional suíça é uma das mais ativas colaboradoras privadas do Fome Zero. Nada disso comoveu os conselheiros do Cade, empenhados em reforçar a concorrência até em segmentos aparentemente supérfluos, como bombons.

Imagina como deve estar o clima entre quem espera julgamento em ferrovias ou aço.

Vento a favor

O governador do Fed, Ben Bernanke, disse que os EUA poderiam passar mais seis meses sem aumentar os juros. Hoje, sai o índice mensal de emprego americano: espera-se 5,7% de desemprego. Menos que isso, e aumenta o temor de nova alta dos juros, declarações de gente do Fed à parte.

Com Carla Falcão

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