As negociações no Senado estão deixando os dirigentes das associações empresariais um pouco mais otimistas com o novo modelo do setor elétrico. A distinção entre energia velha, de usinas já amortizadas, e nova, de futuras e recém-construidas, deve ganhar uma regra de transição.
Boa notícia para quem investiu em capacidade nova, como a Tractebel e a Duke.
Outra mudança com boas chances é no prazo para o fim do self-dealing, a compra de carga junto a geradoras do mesmo grupo. Reflexo do peso político dos governadores do Paraná, Roberto Requião, e de Minas Gerais, Aécio Neves.
Peru de fora
Fundos estrangeiros e bancos de investimento estão operando pesado para sustentar as cotações do Banco do Brasil.
A meta é garantir um patamar favorável à emissão de papéis no exterior. Com o conseqüente ganho de liquidez para os ADRs, negociados na Bolsa de Nova York.
No centro da crise
O Morgan Stanley atuou forte na venda. Nenhuma das ações mais líquidas, de Vale à Telemar, escapou da sanha.
Martelo batido
O governo decidiu não recomprar os C-bonds, títulos mais líquidos da dívida externa. Nas sondagens, o prêmio exigido pelos investidores para a troca revelou-se muito alto. Palavra de interlocutores freqüentes da equipe de Antônio Palocci.
O prazo para a troca vence mês que vem.
Façam suas apostas
A escolha da tecnologia GSM pela Telemig Celular reduz, de cara, as possibilidades de a empresa ser comprada pela Vivo, que opera em CDMA. A decisão da operadora móvel presidida por João Cox leva ainda os analistas do setor a um jogo de adivinhação.
A opção da Telemig Celular tanto pode indicar que não há intenção de venda - já que excluiu um dos dois grupos mais interessados - como também que o negócio está praticamente fechado. Neste caso, a favorita é a Claro.
Mordido de cobra
Funcionários próximos ao diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, estão reticentes ao falar com o executivo. A alegação é de que, a qualquer ressalva ou crítica a seu trabalho, Sauer alega estar sendo perseguido.
Telhado de vidro
Um dos maiores defensores da decisão do Cade de reprovar a compra da Chocolates Garoto pela Nestlé, Gesner de Oliveira presidia o conselho na época de criação da Ambev.
Oliveira também foi um dos pareceristas contratados pela Kraft Foods, detentora da Lacta, no processo envolvendo a Garoto.
Incompatibilidade de gênios
A presidência da Eletrobrás e diretorias da Petrobras entram no bolo do PMDB. Relator da MP 144, que reformula o setor elétrico, o senador Delcídio Amaral assegura a colaboradores mais próximos que a mudança é iminente. Escolhido diretamente por Lula, Luiz Pinguelli Rosa sente-se firme no posto.
Pegos no contrapé
A matriz da Nestlé ficou surpresa com a decisão do Cade de anular a compra da Garoto. O presidente da subsidiária brasileira, Ivan Zurita, passava confiança e otimismo.
A multinacional suíça é uma das mais ativas colaboradoras privadas do Fome Zero. Nada disso comoveu os conselheiros do Cade, empenhados em reforçar a concorrência até em segmentos aparentemente supérfluos, como bombons.
Imagina como deve estar o clima entre quem espera julgamento em ferrovias ou aço.
Vento a favor
O governador do Fed, Ben Bernanke, disse que os EUA poderiam passar mais seis meses sem aumentar os juros. Hoje, sai o índice mensal de emprego americano: espera-se 5,7% de desemprego. Menos que isso, e aumenta o temor de nova alta dos juros, declarações de gente do Fed à parte.
Com Carla Falcão