Depois de insinuar a disposição de afastar-se do cargo desde o início do ano passado, Leonardo Cantidiano finalmente deixará a presidência da Comissão de Valores Mobiliários.
O substituto já está escolhido: Renê Garcia, titular da Superintendência de Seguros Privados e Capitalização.
Ex-diretor da CVM formado pela Fundação Getúlio Vargas, Garcia aproximou-se do ''núcleo duro'' do Planalto graças à participação na gestão de Benedita da Silva, no Rio, em que ajudou a evitar um colapso das finanças estaduais.
Rota de colisão
O advogado Leonardo Cantidiano decidiu deixar o posto desde que ficou caracterizado o impasse na nomeação de dois diretores. Os postos seguem vagos desde o ano passado, por falta de acordo entre ele e a Casa Civil.
Entradas e saídas
Com a provável venda da divisão petroquímica para a Petrobras, o grupo Ipiranga livra-se da principal pressão sobre seu caixa. Tornando-se mais resistente, assim, a ofertas pela rede de distribuição, a segunda maior do país.
Com isso, a maior interessada, a Repsol, deve voltar suas baterias para a Agip. A compra deixaria os espanhóis com 6% do mercado de combustíveis no Brasil.
Longe dos 53% detidos na Argentina, mas bem mais perto da escala mínima para o lucro.
A fonte secou
Os principais fundos de pensão suspenderam o aluguel de papéis da Telesp Celular. Apostam em alta das ações, portanto.
Plano B
A ministra Dilma Rousseff e sua equipe preferiram não confiar na sorte. O ministério de Minas e Energia destacou um grupo de técnicos para formular, às pressas, um projeto de lei para a matriz energética.
Temendo que a Ação Direta de Inconstitucionalidade impetrada pelo PSDB e o PFL contra a MP do novo modelo do setor elétrico seja acatada, a ministra quer ter em mãos um projeto para apresentar ao Congresso.
Hora da virada
Dono da maior carteira de títulos da dívida externa brasileira, o fundo de investimentos Pimco estaria disposto a desfazer-se de parcela significativa de sua posição em C-bonds, título que chegou a 100,25% de seu valor de face.
Administrado pelo economista Mohamed El-Erian, o fundo detinha - segundo dados do final do terceiro trimestre de 2003 - mais de 6% de todos os C-bonds negociados em mercado.
Geração de futuro
Os rumores de que a Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo teria liberado a expansão de capacidade da Emae impulsionaram a alta dos papéis da geradora. A Emae fechou o dia com valorização de 20,15%.
Outra empresa do setor que apresentou bom desempenho ontem foi a AES Tietê. As ações da companhia registraram alta de 8,05%, tendo atingido, durante o pregão, a máxima de 18,9%.
Recordar é viver
O presidente Fernando Henrique Cardoso, irritado com a crise que levou ao racionamento de energia em 2001, encarregou o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, de procurar brechas jurídicas para demitir o diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo.
O exame das normas de criação e funcionamento da agência reguladora indicou que um diretor não pode ser demitido por má performance, só por improbidade. Se Abdo não quiser sair, pelo constrangimento de perder funções para o Ministério das Minas e Energia, o governo terá de conviver com ele.
Linha direta
Em Wall Street, os investidores começam a retomar o interesse pelas teles brasileiras, segundo o analista de investimentos de um banco brasileiro com presença nos EUA. Os estrangeiros concluíram que o setor está cotado muito abaixo de seu valor.
Com Carla Falcão