A Brasil Telecom seguiu à risca os preceitos de Marx (o Groucho, bem entendido) na reunião com analistas e investidores sobre a compra do IG: se não conseguiu convencê-los, ao menos os confundiu. É difícil encontrar duas opiniões idênticas sobre o negócio, questionado pela presença de Daniel Dantas nas duas pontas, a compra e a da venda.
Bancos de peso como Pactual e Fator admitiam a importância do controle de um provedor de acesso para as operadoras de telefonia fixa. Mais ativa associação de minoritários do país, a Animec elogiava a disposição da companhia em discutir.
Os elogios, em menor número que as críticas, podem escassear de vez se confirmado o preço: US$ 120 milhões.
Ainda mais que o tráfego gerado é principalmente nas áreas de Telefónica e Telemar, o que faz prever uma guerra.
Presente de grego
No inusitadamente prolifíco apagar das luzes do ano legislativo, coube à CSN uma surpresa desagradável: o incentivo fiscal à siderúrgica em Itaguaí foi anulado.
Valeu mesmo a pena transferir a sede para São Paulo?
Menos é mais
A Ipiranga Química teria vendido os 33,3% das ações que detém na chilena Petroquim, por US$ 20 milhões. Os papéis da empresa gaúcha subiram na Bovespa.
A estrela sobe
A liga de silício-manganês atingiu US$ 750 a tonelada este mês. É a segunda maior cotação em 25 anos. Ponto para a Vale, que investiu US$ 35 milhões no manganês.
Interesse cruzado
O governo estadual pode até não ter participado da articulação para o veto ao oleoduto entre Campos e Paulínia.
Será peça-chave, contudo, no acordo para superar o impasse.
Quem pensou numa refinaria como moeda de troca, está muito perto da verdade. Vale recordar que a Mitsui, inspiradora da decisão de encomendar o oleoduto em um único bloco e com capacidade inédita no país, chegou a sondar, durante o governo de Marcello Alencar, a instalação de uma unidade de refino no Norte Fluminense.
Endereço da perda
O Estado do Rio perdeu mais do que São Paulo e Minas Gerais com o aumento de 3% para 7,6% da alíquota da Cofins. A desoneração de fases anteriores beneficia principalmente as indústrias de transformação, mais fortes nas outras duas pontas do triângulo da riqueza no país.
Forte em serviços, o Rio terá mais prejuízo.
Cristal trincado
De público, poucos empresários e dirigentes de entidades patronais adotarão uma linha de confronto aberto com o governo. Reservadamente, admite-se que o aumento da Cofins por medida provisória rachou a já delicada ponte construída com um Executivo eleito contra a vontade da maioria dos condestáveis da indústria e das finanças.
Primeiro os teus
Na negociação para ampliar setores isentos do aumento da Cofins, prometida pelo senador Aloísio Mercadante para janeiro, o PFL porá foco na construção civil. Paulo Octávio agradece penhorado.
Dança das cadeiras
Nem a transferência de verbas vinculadas dos royalties para o Ministério das Minas e Energia abalou o charme da Agência Nacional do Petróleo. Pelo menos para os deputados Alexandre Cardoso (PSB-RJ) e Paulo Lima (PMDB-SP). Ambos disputam a indicação do titular de uma superintendência da ANP.
Sob o olhar sereno da Casa Civil.
Campo e cidade
O escoamento da safra recorde esperada para este ano foi a motivação principal do Modercarga, programa de crédito para a compra de caminhões.
A abertura para o financiamento de veículos comerciais leves, contudo, faz com que o BNDES preveja uma forte demanda urbaana pelas linhas. Comparável, em dois ou três anos, à das máquinas agrícolas do Moderfrota.
Com Carla Falcão