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O ano que não acaba


Logo que o presidente Lula voltar do Oriente Médio, encontrará paisagem talvez mais árida na Esplanada dos Ministérios. Para irrigar com recursos pastas como Saúde e Transportes, a Casa Civil acenou com uma Medida Provisória evitando o cancelamento dos empenhos. Com isso, as dívidas com fornecedores e empreiteiras, da ordem de R$ 1 bilhão, poderão ser pagas até março.

Pela regra até então em vigor, por iniciativa do Tesouro, os empenhos eram automaticamente cancelados na virada do ano, liberando o dinheiro em caixa para usos distintos da rubrica original.

Superávit primário e dívida com bancos, se depender da Fazenda. Mesmo que ao custo de atrasar o pagamento de obras já realizadas.

De frente pra crise

Os ministros das Cidades, Olívio Dutra, e dos Transportes, Anderson Adauto, devem receber para reuniões hoje e amanhã representantes da construção pesada.

As empreiteiras cobrarão a promessa de liberação de R$ 1,880 bilhão em duas parcelas para dívidas e obras novas, feita em reunião com a presença da Casa Civil e da Fazenda.

De olho na folhinha

A assinatura do acordo com o Fundo Monetário Internacional, esperada para o fim da semana, deve acelerar os entendimentos para a retomada dos repasses aos ministérios. O Itamaraty espera R$ 150 milhões, insuficientes para uma dívida de R$ 500 milhões. E a Saúde tem prometidos R$ 280 milhões, para quitar o débito com a rede privada.

Alegria de pobre...

Cada vez mais próximo de atingir 100% de seu valor de face, o C-bond - que fechou ontem cotado a 98,125% - corre sério risco de ser substituído no portfólio dos maiores grupos de investidores americanos. Em Wall Street, alguns bancos já deixaram clara a intenção de transferir, para outros mercados emergentes, recursos hoje alocados nos títulos da dívida brasileira.

Entre os novos destinos, o destaque é a China.

Não por acaso, o diretor da Área Externa do Banco Central, Alexandre Schwartsman, está em giro pela Europa e os EUA. Ele nega, mas boa parte do mercado espera nova emissão de bônus pelo país, antes que a onda mude.

Operação à distância

Seja lá quem for o comprador da Embratel, uma coisa é certa: as negociações deverão passar longe de quem vive o dia-a-dia da empresa. Na carta-convite enviada a potenciais compradores a única parte destacada no texto aconselha os interessados a não negociar com funcionários e executivos da Embratel ou da MCI. Ofertas deverão ser feitas somente ao banco que cuida da operação.

Vende-se calhambeque

Quem comprou carros utilizando financiamento em dólar e resolveu entrar na justiça, à época da desvalorização cambial, em 1999, já quase perdeu as esperanças. Sem uma definição dos processos, os donos não podem vender os automóveis, que já foram pagos em juízo. A julgar pela lentidão do Judiciário, é bem provável que os carros sejam vendidos a colecionadores quando sair a solução do problema.

Carga reduzida

Ao que tudo indica, já passou a euforia provocada pela minuta da medida provisória do novo modelo do setor elétrico, em preparação pela ministra Dilma Rousseff.

Bancos como o Espírito Santo já começaram a rever suas recomendações. Em recente relatório, o BES diminuiu a exposição ao setor, com a redução de participação na Cemig e na Celesc.

Aquecendo os motores

Começa em janeiro o comissionamento da termoelétrica UTE Norte Fluminense, que entrará em funcionamento em fevereiro com 66% da capacidade . Já foram investidos US$ 450 milhões na termoelétrica, de um total de US$ 950 milhões.''Para evitar o racionamento daqui a alguns anos, temos de implantar as termoelétricas'', afirmou o presidente da companhia, Antônio Rocha.

Com Carla Falcão


[09/DEZ/2003]


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