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Acordo difícil
[08/DEZ/2003]
Comprar uma empresa ao preço simbólico de US$ 1 pode ser uma tarefa bem mais difícil do que possa parecer. É o que estão constatando as direções de Telemar e Brasil Telecom a respeito da Intelig.
Onze dias de negociações em Londres foram pouco para chegar-se a um acordo definitivo. A exigência dos compradores que enfrenta mais resistência é a due dilligence, a auditoria externa sobre solvência e qualidade dos ativos a serem vendidos.
As três controladoras da empresa-espelho - Sprint, National Grid e France Telecom - não chegam a um acerto sobre essa concessão. Sem a qual, não tem negócio com as empresas presididas por Ronaldo Iabrudi e Carla Cico, respectivamente Telemar e Brasil Telecom.
A insistência da AES em prorrogar o prazo para um acordo com o BNDES sobre a dívida em atraso, que vence dia 15, diminuiu. Aumentou, na mesma proporção, o esforço para buscar alternativas palatáveis de garantia às ações da AES Tietê, sob arresto dos credores externos, e da AES Uruguaiana, de patrimônio líquido negativo.
A um governador tucano de bom trânsito e a um senador de larga influência junto ao Planalto chegou um recado praticamente idêntico de investidores estrangeiros. Repercutiu mal, para quem precisa de capitais externos, o esforço do BNDES para consolidar a siderurgia exclusivamente sob liderança nacional. Quem apostar na Arcelor e nos japoneses como os melindrados, de olho no destino da opção de venda da CST detida pela Vale do Rio Doce, estará na pista certa.
Está longe de acabar a disputa entre as companhias do setor elétrico e o Ministério de Minas e Energia . Na última quarta-feira, alguns dos principais players do mercado enviaram uma carta à ministra Dilma Rousseff na tentativa de discutir, mais uma vez, o novo modelo do setor. Passado mais de um ano, a queixa é a mesma: pouco acesso aos representantes do ministério.
O diálogo acaba sendo mais fácil em outros endereços da Esplanada. Na Casa Civil e na Fazenda, por exemplo, já caiu a ficha: sem capitais privados, nada de investimentos em infraestrutura. E a atração desses grupos exige normas estáveis.
A PricewaterhouseCoopers, líder no mercado de auditoria, e o Pinheiro Neto Advogados, um dos maiores escritórios de advocacia, promovem amanhã, no Club Americano, no Rio, um seminário sobre a MP 135, da Cofins. Segundo João Gândara, sócio da Price, a alteração está bem distante de evitar o efeito-cascata (incidência do imposto em sucessivos elos da cadeia produtiva) e ainda pode surpreender muitos setores.
O BNDES anuncia, ainda este ano, um empréstimo para obras de uma via expressa no norte do Paraguai. A rodovia cruzará a área mais seca do Chaco, como parte da ligação entre os portos de Paranaguá, no Atlântico, e Arica e Antofagasta (Chile), no Pacífico.
O governo encaminha ao Senado, até o fim do ano, os nomes de dois diretores da Comissão de Valores Mobiliários para sabatina.
Um cargo está vago desde antes da troca de José Luiz Osório por Leonardo Cantidiano, no governo passado. E o outro espera apenas a confirmação da saída de Luiz Antônio do Amparo Campos, que até já entregou carta de demissão.
Ninguém pode dizer que o ministro Antonio Palocci tenha reclamado ao saber que o BNDES já esteve subordinado à Fazenda, ainda que por pouco tempo.
De Petrobras a ANP e Eletrobrás, todo mundo na reunião sobre as regras do gás natural. Só faltou o Ministério das Minas e Energia.
Com Doca de Oliveira
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