Mesmo os numerosos ateus e agnósticos que militam nas fileiras do BNDES, solitária cidadela do desenvolvimentismo num governo de surpreendente liberalismo econômico, devem voltar suas preces para São Paulo. Se não o apóstolo dos gentios, a cidade que leva seu nome.
Explica-se: o empréstimo de R$ 700 milhões para a prefeitura da maior cidade brasileira, a muito custo liberado no Senado, esbarra agora nos limites de risco do BNDES. Como a operação é prioridade absoluta para o Planalto, até por conta do peso do ícone petista para a eleição municipal do ano que vem, ganhou velocidade de cruzeiro o debate sobre a capitalização do banco.
A informação da diretoria é de que o presidente Lula já bateu o martelo sobre o valor: R$ 5 bilhões. O mínimo necessário para que o banco fique autorizado a financiar a modernização do fisco nas maiores cidades.
The day after
Mais do que a confirmação da captação de US$ 200 milhões, a alta da Embratel de 7,77% no pregão de ontem está relacionada aos rumores da venda da empresa para a América Móviles, de Carlos Slím. Nos corredores da Embratel, já até se especula o nome do novo presidente da companhia: Purificación Carpinteyro. Amiga de longa data de Slím.
Torcida multinacional
Hoje, AES Elpa e AES Transgás deverão ter julgado o recurso contra o arresto das ações cobrindo a dívida da Eletronet. Desenhado o acordo com a Eletrobrás, sócia da AES na Eletronet via Lightpar, o BNDES fica mais perto de evitar um prejuízo de R$ 1 bilhão com o atraso da AES/Eletropaulo.
Mundo à parte
Utilizada pela CVM, de Luiz Cantidiano, como justificativa para adoção do rodízio de auditorias no Brasil, a possibilidade de os Estados Unidos fazerem o mesmo caiu por terra. O General Accounting Office (GAO), braço de auditoria e e investigação do congresso dos EUA, condenou a proposta.
Quando a instrução 308 da CVM entrar em vigor, em maio de 2004, o Brasil deverá igualar-se a países como Lituânia, Catar e Equador.
Choque tributário
Confirmado aumento da Cofins de 3% para 7,6%, no caso do setor elétrico, são grandes as chances de o acréscimo ser repassado para a tarifa paga pelo consumidor, já que os créditos concedidos ao setor não compensam o aumento da carga tributária. De acordo com Henry Lummertz, sócio do Veirano Advogados, o contrato do governo com as empresas de energia estabelece que a alteração de qualquer tributo resultará em revisão das tarifas. ''Este repasse só pode ser efetivado depois que a Aneel autorizar, mas já está previsto em contrato e na legislação do setor'', explica Lummertz.
A voz do oráculo
Quem está otimista em relação à taxa real de juros no fim deste ano, tem mais um motivo para se animar. Fonte do governo que já havia previsto o corte de 1,5% na Selic garante que, na próxima reunião do Copom, os juros devem cair pelo menos 1 ponto percentual, com chances razoáveis de um resultado semelhante à ultima decisão do Comitê.
Na hora certa
Benjamin Steinbruch participará, na quinta e na sexta, de um road show para investidores do Rio e de São Paulo. Os eventos acontecem pouco depois de a Moody's ter elevado os ratings da CSN (para ba3 na escala global de moeda local, para a3.br na escala nacional e para b1 na escala global de moeda estrangeira) graças à emissão de debêntures de R$ 400 milhões.
Cenas de um casamento
Varig e TAM têm uma boa oportunidade de conhecer erros e acertos de fusões no setor. Especialista em transporte aéreo, Brian F.Havel, da De Paul University, em Chicago, fala hoje, no I Seminário Internacional de Turismo e Desenvolvimento, em Brasília, sobre os processos vividos pela Swissair e Air Canadá. Amanhã, Peter Forsyth, da Monash University, na Austrália, abordará o caso da Qantas.
Com Carla Falcão