A decisão do BNDES de comprar a fatia do InvestVale (clube de investimentos dos funcionários) na Vale do Rio Doce enfraquece o pedido de capitalização do banco. Ficou mais difícil argumentar que a instituição precisa de aportes de no mínimo R$ 5 bilhões do Tesouro, se encontra margem para pagar um prêmio de R$ 150 milhões sobre os papéis da mineradora.
Nos gabinetes da Fazenda, embora o ministro Antonio Palocci evite críticas ao BNDES, repercutem as queixas de investidores estrangeiros ao que consideram uma recaída estatizante.
Por lá, os comentários são de que o próprio presidente Lula teria se queixado da operação.
Conversa ao pé do ouvido
Um dos primeiros interlocutores de Lula junto ao empresariado, Antoninho Marmo Trevisan retomou a freqüência da época da campanha. Em pauta, uma solução para os estragos, no setor de serviços, do aumento de alíquota da Cofins para 7,6%.
Pressa X Perfeição
A BB DTVM marcou para a terça que vem a escolha do administrador do CVC nacional. Dirigentes dos fundos de pensão reclamam que a escolha deveria esperar a articulação com o Citigroup, para nova tentativa de convencer os americanos a destituir o Opportunity da gestão do CVC internacional.
Desconto embutido
Na oferta pela Embratel, a Telecom Américas deverá pedir um desconto de US$ 100 milhões. É o valor pago a mais pela AT&T Latin America, por causa da concorrência da empresa brasileira de longa distância.
Cavalo de Tróia
Ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff fez uma discreta visita a Furnas ontem. Mais do que falar do novo modelo, a ministra teria aproveitado a ocasião para explicar melhor a idéia de cindir Furnas em três empresas diferentes: geração, transmissão e distribuição. Tema que, por sinal, não agrada nem um pouco à diretoria.
Aposta no verde e amarelo
Os bancos estrangeiros estão mais otimistas em relação à taxa de câmbio para o fim do ano. Em julho, instituições como o Citibank previam que o dólar chegaria a R$ 3,40 em dezembro, com viés de alta. Hoje, as mesmas instituições apostam em uma taxa de câmbio mais modesta, na faixa dos R$ 3,10.
Caixa de reclamações
Responsável pela compilação de sugestões e críticas ao documento sobre o novo papel das agências reguladoras, o subchefe de Coordenação da Ação Governamental, Luiz Alberto dos Santos tem em mãos um abacaxi. O volume de material enviado - sobretudo pelas companhias reguladas - é tão grande que está travando sua caixa postal.
Cheque voador
No setor de aviação civil, o que mais se ouve é que Luciano Coutinho e o banco Fator são hoje os maiores, senão os únicos, interessados na fusão Varig/TAM. Ambos teriam assinado um contrato condicionando suas remunerações ao sucesso da fusão.
Onde está Wally?
Os executivos da Embratel voltaram de Brasília frustrados na última quinta-feira. Dispostos a conversar com Miro Teixeira sobre a venda da empresa, os dirigentes da operadora local sequer viram o ministro. Foram recebidos pelo secretário de telecomunicações do ministério das Comunicações, Pedro Jaime Ziller.
O que se comenta é que Miro não ficou muito satisfeito com a decisão da MCI de vender sua controlada.
Dança da Chuva
Diante da expectativa de que a Sabesp anuncie o racionamento de água ao longo da semana, alguns bancos já recomendam a venda de ações da companhia. A reserva de Cantareira, que atende quase metade da região metropolitana de São Paulo, está no mínimo. A aposta é de que a medida derrube os papéis da Sabesp.
Com Carla Falcão