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Curto-circuito oficial


A três dias do fim das audiências públicas sobre o projeto, o novo modelo do setor elétrico divide o governo. Em reunião sigilosa no Ipea, coordenada por Maurício Tolmasquim, a proposta oficial recebeu duras críticas dos representantes da Fazenda.

O diagnóstico era de que o redesenho, tal como está formulado, desestimula o investimento privado. Num momento em que o fôlego da União para suprir pesados desembolsos em geração e transmissão de energia anda reduzido.

Fora de compasso

Para uma medida do desencontro nas hostes do governo, basta lembrar que o Ipea propõe a vigência do modelo atual, com modificações restritas aos pontos mais polêmicos, como o Mercado Atacadista de Energia.

O pool, pelo qual as distribuidoras e a Eletrobrás montariam um sistema conjunto de compra de carga, tem quatro opções.

O excesso de alternativas pode levar à paralisia decisória. E, com ela, a mais um ano sem investimentos pesados no setor.

Mapa do caminho

Os sócios controladores da Telemar reúnem-se esta semana para decidir se exercem a opção de compra de 30% da BCP, banda B dos celulares paulistas.

A operadora brasileira tem até dia 24 para firmar a intenção junto à Telecom Américas.

E a resposta será sim. O mais é charminho.

Direto dos mares do Norte

No clima da missão: o interesse norueguês na unidade de processamento de gás natural no porto de Sepetiba é real.

Revanche na taba

Os prejuízos acumulados pela Fundição Tupy, controlada pela Previ, começam a incomodar os demais fundos de pensão. Os problemas arrastam-se desde antes das fundações assumirem o poder na empresa, há oito anos.

A conta não cabe portanto só ao atual presidente, Luiz Tarquínio, egresso da fundação dos funcionários do Banco do Brasil. Mas é ele que enfrenta a ira de Solange Pádua Vieira, a presidente da Telos, fundo dos funcionários da Embratel.

Que já desfilou seu estilo decidido e agressivo na Secretaria de Previdência Complementar, a xerife dos fundos de pensão.

Na fronteira do abandono

O presidente do BNDES, Carlos Lessa, e o ministro da Defesa, José Viegas Filho, assinam amanhã, na sede do banco, no Rio, um convênio para apoiar em R$ 12 milhões projetos sociais do Calha Norte.

O Programa foi criado em 1995 pelo governo federal para 74 municípios no Amazonas, Pará, Amapá e Roraima, com 7.400 quilômetros de fronteira, baixíssima densidade demográfica e sérios problemas de saneamento básico e distribuição de renda.

Perdas e ganhos

O rodízio das firmas de auditoria, confirmado pela CVM para entrar em vigor em maio do ano que vem, foi recebido por festa por uma das quatro grandes.

A mesma que tem no histórico o balanço de uma grande instituição financeira nacional que inspirou primeiro o Banco Central, e depois a CVM, a exigir a rotação de auditorias.

Na letra da lei

Em fusões, incorporações ou cisões, os ativos movimentados terão de ser lançados pelo valor de mercado. Um grupo de administradores de recursos encaminhará à CVM de Luiz Cantidiano o texto de uma norma nesse sentido.

Caso a regra já estivesse em vigor quando da incorporação da Oi pela Telemar operacional (Temar), a licença para operação celular teria de ser registrada pelos preços pagos nos leilões posteriores da Anatel.

Não mais de 30% do valor pago pela Temar.

Soja na balança

A produção mundial de soja caiu em um milhão de toneladas, o que reforça as expectativas altistas para o ano que vem. Boa notícia para a balança comercial. Particularmente porque a safra brasileira cresceu 4 milhões de toneladas, o mesmo que a americana recuou, segundo a Tendências.

Com Carla Falcão


[12/OUT/2003]


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