A leitura atenta do voto do representante da Fazenda na reunião do Conselho Nacional de Política Energética revela divergências potenciais no seio do governo sobre o novo modelo para o setor.
A preocupação central do voto é a freqüência com que o Tesouro será chamado a cobrir prejuízos causados por oscilações bruscas de custos, seja câmbio na importação de insumos ou energia, seja frustração de demanda prevista.
Dado o peso de Antônio Palocci e dos compromissos fiscais do governo, e a força política demonstrada por Dilma Rousseff, pode-se esperar uma disputa longa e difícil.
Espera-se que sanada a tempo de atrair investimentos privados e evitar o apagão.
Altos e baixos
Maior repassador de recursos do BNDES entre os bancos privados no ano passado, o Bradesco manteve esta condição de janeiro a agosto deste ano. Não por acaso, é o único dos três grandes do varejo fora do lobby para derrubar Carlos Lessa.
Segundo round
A nova política operacional reduziu as margens do próprio BNDES, mas não mexeu no spread dos bancos. Daí a trégua relativa vivida no momento.
Paz com data marcada para acabar. Logo que o BNDES dispensar a intermediação da rede privada para atravessar a avenida Chile e emprestar recursos à Petrobras, menor risco do país, para as plataformas P-51 a P-54.
Carga pesada
As empresas da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (Vale, FCA, MRS, CFN, Tereza Cristina e Brasil Ferrovias) fizeram as contas: nos próximos três anos, em função do crescimento dos pedidos de seus clientes, deverão comprar mais de 12,4 mil vagões para o transporte de carga. O número será apresentado ao ministro Anderson Adauto, dos Transportes, numa reunião, marcada para esta segunda-feira, em São Paulo.
Na pauta, a real capacidade da indústria nacional - reforçada por uma linha especial do BNDES - de atender tal demanda. Ou, caso isso não ocorra, a definição de quais componentes poderão ser importados com isenção de impostos.
Fim de caso
A Vale do Rio Doce, que tem o balanço auditado pela PricewaterhouseCoopers, recebeu o ''Troféu Transparência de Melhor Demonstração Contábil'', concedido pela Anefac, Fipecafi e Serasa. A Price tem seis clientes dos dez finalistas do prêmio. Carteira, aliás, que a PwC terá de desfazer por conta do rodízio de auditores decretado pela CVM para maio de 2004.
Conta de chegar
A Telefónica prepara a retomada da reestruturação societária das celulares. A hipótese mais forte é da troca de ações pelos papéis da Telesp Celular, controlada pela Portugal Telecom e cabeça da rede Vivo.
Como a participação relativa dos espanhóis é maior na Tele Sudeste (Rio e Espírito Santo), essa empresa seria a primeira a ser incorporada. Pensando assim é que bancos e corretoras compraram lotes do papel.
Empregos na bagagem
O balanço da viagem de 12 dias do Governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, à Europa foi positivo. Principalmente para o setor de energia. A alemã Steag garantiu investimento de US$ 800 milhões na Usina Seival, que produzirá 500 megawatts de energia e vai gerar 1500 empregos no Estado. A tecnologia é compatível com o carvão nacional, de teor calorífico inferior ao europeu.
Cantando na curva
A Continental, fornecedora de pneus da Jaguar e outras montadoras de primeira linha, fará uma fábrica no país. Trabalho da Investe Brasil, comandada por Rudolf Höhn, ex-IBM.
Tem coisas que o dinheiro não paga
Ver o concorrente às voltas com denúncias e mudanças bruscas de executivos, num ramo disputado, não tem preço. Quem avisa amigo é.