Os mercados financeiros não conseguem se afinar, quando o tema é a perspectiva da economia. Os juros futuros para janeiro de 2005 não caem abaixo de 18%, praticamente o patamar esperado para dezembro deste ano. Sugerindo desconfiança na queda da inflação e na margem de manobra do Banco Central, Henrique Meirelles à frente, para induzir o crescimento.
Em contrapartida, as bolsas esbanjam bom humor e o câmbio segue pressionado para baixo. O superávit recorde na balança comercial indica fôlego de sobra para cobrir os compromissos externos do ano que vem. O que alimenta os rumores de que agências como a Fitch preparam a elevação do rating do país, antes mesmo da aprovação definitiva da reforma da Previdência.
Nas duas pontas
Os papéis da Bradespar subiram ontem, com bom volume de negócios. A Vale do Rio Doce, principal ação do grupo, bateu US$ 16,495 bilhões no fim do pregão, um recorde.
O Fator recomendou compra das ações da Bradespar. Sinal de que ganha velocidade a reestruturação da dívida da Net/Globo Cabo.
Corrida do ouro
Correu em Nova York que o Morgan Stanley tem uma megaordem de compra de ações brasileiras. No ato, deu-se a alta na Bovespa.
Corda esticada
A divisão interna das empresas e as manobras societárias e judiciais contra a fusão Varig/Tam espalharam o desânimo entre os articuladores do processo.
Já ganha peso a corrente dentro do governo para deixar que a crise da Varig tome seu curso natural, com os credores oficiais adotando a postura rígida que adotaram com a Transbrasil.
Nem o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, mostra o mesmo empenho inicial.
Blindagem
Está crescendo o número de fundos de pensão, como a Petros, preocupados em saber se todas as suas operações de investimento cumprem as normas. Prova disso é que a Mellon Brascan, especialista no serviço de controle, atingiu a marca de R$ 35 bilhões em aplicações fiscalizadas. Entre as carteiras, além da já citada Petros, as da Volks e da Siemens.
Aval de peso
Lázaro Brandão, do Conselho de Administração do Bradesco, e Renato Abreu, da MPE, tornaram-se beneméritos da Associação Comercial do Rio de Janeiro.
Bem-me-quer, mal-me-quer
A base de apoio para a exploração de petróleo e gás natural da Bacia de Santos ficará em Angra dos Reis, perto do Tebig, maior terminal da Petrobras no país, e do porto. A disputa era com Santos, e o crescimento de Macaé, base para a Bacia de Campos, indica o impulso potencial para a região.
A escolha, somada à ampliação da Reduc e os estudos de viabilidade para o projeto de gás natural liqüefeito em Itaguaí, convenceu a muita gente que a refinaria não será no Rio.
Rosinha Matheus terá projetos bilionários com recursos federais. Mas refinaria não.
Vitamina holandesa
A DSM, multinacional da Holanda com vendas de 5,6 bilhões de euros anuais, comprou a divisão de vitaminas e química fina do grupo suíço Roche. A fábrica em Jaguaré, São Paulo, amanheceu de bandeira nova.
Perguntar não ofende
O que aconteceria a concessionárias de serviços públicos na Europa, se fosse constatado seu envolvimento com sonegação ou propinas?
Com Carla Falcão