A equipe de analistas do CSFB Garantia, uma das mais influentes do mercado financeiro, saiu de uma teleconferência de Henrique Meirelles convencida de que o Banco Central trabalhará para evitar a sobrevalorização do real.
A análise coincide com decisões coerentes com essa direção, como a de reduzir a rolagem da dívida cambial e aumentar as compras de dólar pelo Tesouro.
A dúvida é se isto será suficiente para deter o real. Mesmo com a ligeira alta do risco-país, o volume de captações externas engatilhadas e a menor demanda por proteção no câmbio tornam muito difícil, no curto prazo, a tarefa do governo federal.
A hora dos bônus
O BC anunciou uma meta maior de captação para o ano que vem, se possível explorando o mercado desde já, para ter três meses a mais. É pouco provável, contudo, que a emissão saia antes de novembro.
Esse mês e o próximo coincidem com o encerramento do ano fiscal, limitando a compra de papéis de dívida soberana.
Reinam, no período, os bônus privados. A Usiminas, por exemplo, captou US$ 75 milhões, mas a demanda foi o dobro.
Com o dedo no gatilho
Dois grandes bancos esperam uma redução do risco-país para emitir papéis de três anos.
Ajuste fino
Em público, mais de uma vez, a diretoria do BNDES atribuiu a queda de consultas e desembolsos à retração do empresariado. Hoje, o Conselho de Administração debate mudanças nas políticas operacionais para reduzir as taxas dos empréstimos, o que sugere a admissão de que o problema é mais amplo.
A aposta principal da equipe de Carlos Lessa é na demanda das pequenas e médias empresas, às voltas com uma oferta de crédito menor que a dos grandes conglomerados.
Alerta geral
O sistema S, de confederações patronais e serviços sociais e de treinamento como Sesc e Sesi, escapou de mudanças na Câmara.
A tarefa de lideranças como Armando Monteiro Neto, da CNI, será bem mais difícil no Senado, onde a tendência é de reduzir as contribuições compulsórias, como parte da reforma tributária.
Na ponta do lápis
Minoritários mostram-se apreensivos com o aumento da presença da Petrobras na petroquímica. Exxon, Chevron e BP, exemplos invocados pela estatal, tem margens menores que as líderes petroquímicas.
Raspando o cofrinho
Mesmo com um programa pesado de investimentos em curso, a Infraero pagou seu primeiro dividendo em pelo menos uma década.
O Tesouro apropriou-se de R$ 130 milhões do resultado gerado no ano passado. Reduz-se, assim, a margem de manobra para a diretoria presidida por Carlos Wilson.
Meia vitória
O Opportunity foi reafirmado como gestor da CVC, fundo do Citigroup no Brasil. Interlocutores do Citi no BB, contudo, reforçaram a impressão, nos recentes contatos, que não virão aportes adicionais ao país.
O que limita o poder de fogo do Opportunity/CVC na disputa pela Brasil Telecom com a Telecom Italia. Por mais que bancos como o Merrill Lynch apostem que a prioridade dos italianos é mesmo a telefonia móvel, e que por isso deixariam a BrT.
Com Carla Falcão