Quem puxou as cotações da Net (antiga GloboCabo) apostando na reestruturação da dívida do grupo está na pista certa. A pulverização dos créditos por um leque de bancos, na maioria estrangeiros, dispensa um envolvimento do BNDES. A menos na proporção adotada pela equipe de Carlos Lessa no caso da Eletropaulo.
O principal credor responde por apenas 3% da dívida total. As negociações, por isso, são centralizadas por um escritório do exterior. O modelo prevê a constituição de uma empresa para a qual sejam aportadas as garantias, como imóveis e ativos mais líquidos do grupo.
O esforço é para deixar de fora a geração de conteúdos, do jornalismo a cinema e TV.
Ponto de bala
Para estimular a adesão à troca por BDRs da Telefónica, os espanhóis oferecerão de R$ 47 a R$ 50 por lote de mil ações da Telesp fixa. Entre 50% e 60% das atuais cotações.
Mãe de todas as batalhas
As empresas de tíquete-refeição estão questionando na Justiça a criação da Visa-Vale, empresa de benefícios por cartão magnético da Visa e do Banco do Brasil.
O ponto é a exigência de autorização legislativa prévia para estatais. O BB sustenta que, como tem menos de 51%, a companhia está livre da norma.
Caso perca, ficam ameaçadas Brasilprev, Brasilcap e Brasil Veículos, surgidas por expedientes semelhantes.
Sopa de pedras
A proposta de transformar a Petrobras, via Innova, na controladora da Copesul, tem o dedo da Suzano. O modelo é o costurado para a compra da Copene pelo Ultra. O BNDES financia e a Petroquisa amplia a fatia, com um grupo privado de gestor a tiracolo.
A Braskem de José Carlos Grubisich teria de contentar-se com o Nordeste, e a Ipiranga não teria fôlego para acompanhar o aumento de capital.
Solamente una vez
Questionado sobre a possibilidade de uma fusão entre Oi e ATL, o acionista de uma das empresas garantiu que não existe a possibilidade de um acordo a curto prazo. A compra da BCP, com os mexicanos, seria só o início de um namoro. De pouco futuro.
Santa Edwiges
A semana foi dos endividados, na Bovespa. Sexta-feira, a Inepar subiu 11%.
Batalha anunciada
Os fundos de pensão preparam uma ação judicial para anular decisões da assembléia da Opportunity Zain, uma das subholdings da Brasil Telecom.
Namoro de portão
O ministro Antônio Palocci e o secretário de Assuntos Internacionais da Fazenda, Otaviano Canuto, são nomes certos no encontro com o Horst Köhler, do FMI, daqui a uma semana. A conversa em Dubai, durante a assembléia de verão FMI/Banco Mundial, não integra o processo formal de negociação com o Fundo.
Os contornos do novo acerto, com metas sociais e flexibilidade para investimentos da Eletrobrás, contudo, estarão em pauta.
Cacife na mesa
No jogo, arrisca mais quem tem mais fichas. Por isso, o Banco Central acelerou a captação externa. Mesmo que os juros dos bônus atuais sejam altos, o crescimento das reservas cambiais reduz o risco-país. Abrindo espaço para emissões mais baratas no futuro próximo. Muito próximo.
Com Carla Falcão