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Renegociação à vista


As ofertas dos consórcios remanescentes para a construção das plataformas P-51 e P-52 superaram em pelo menos US$ 400 milhões o valor orçado pela Petrobras. Com isso, a estatal terá, muito provavelmente, de suspender a licitação e negociar caso a caso reduções de preço.

A tarefa da diretoria de José Eduardo Dutra é dificultada por um dispositivo do edital de concorrência. Para evitar concentração excessiva das encomendas que ameace o cronograma de entrega, um mesmo grupo não pode assumir as duas obras.

A Fells Setal tem a menor oferta nos dois lotes, de US$ 701 milhões no primeiro e US$ 770 milhões no segundo. Pela regra em vigor, será preciso entregar a P-52 a outro consórcio.

Dada a diretriz do presidente Lula, de concentrar obras no país, a Odebrecht leva uma frente sobre a coreana Samsung, apesar de cobrar cerca de 1% a mais.

Ponto de vista

Analistas e operadores de bolsa esbanjaram bom humor com as entrevistas de Lula. Até a companhia para o cooper diário foi elogiada: Antônio Palocci conversando regularmente aumenta as chances de preservação da austeridade fiscal e monetária.

Pelo lado dos empresários, a companhia gera apreensão. Um empreiteiro de alto pedigree, de grupo cinquentenário, explicava que o pessoal da Fazenda não costuma incluir o crescimento entre as prioridades. ''Já pensou se o JK tivesse ministro da Fazenda forte? O que seria dos 50 anos em 5?'', indaga.

Aposta no pior

Em um dia de alta do dólar, chamou a atenção do mercado a disposição de compra do CSFB Garantia e do HSBC.

Receita do equilíbrio

A incorporação de dividendos de exercícios anteriores ao patrimônio líquido do BNDES não está descartada. A fórmula mais provável para a capitalização do banco, contudo, é o uso de hidden reserves, ativos passíveis de reavaliação.

O secretário do Tesouro, Joaquim Levy, explica que o BNDES mostra em algumas áreas a solidez dos antigos bancos alemães, o que pode facilitar o reforço contábil.

Viabilizando, assim, uma oferta mais ampla de crédito sem pôr em risco os limites de alavancagem (empréstimos sobre o patrimônio) do Acordo da Basiléia.

Negócios da China

Em teleconferência recente, a Vale destacou a China como um dos motores de seu crescimento de vendas. Não por acaso: os chineses já respondem por 21% do consumo mundial de aço e minério de ferro, e 17% do de alumínio e cobre.

Nada de solidão

A Odebrecht nega que seja o único grupo resistente à recaída petroquímica da Petrobras. Em recente reunião do Iedi, instituto pró-industrial dirigido por Paulo Cunha, executivos da Suzano teriam aberto fogo contra os planos da estatal de focar parcerias, abandonando a atual neutralidade.

Vapt-vupt

Nem bem começaram a circular os rumores de que a CSN fechou uma emissão de US$ 150 milhões com prazo de cinco anos e o mercado já contraria essa versão. O que se diz agora é que a operação ficou para setembro.

Puxando a brasa

Em evento no qual Frei Beto, assessor especial do presidente Lula, falou a empresários sobre o Programa Fome Zero, ontem, no Rio de Janeiro, um executivo do setor de construção civil protestou contra o que ele julga um esquecimento grave.

''O Frei falou de oferecer alimentação, educação e saúde às classes mais pobres. Ele se esqueceu, entretanto, de citar a importância da construção de moradias e do saneamento''.

Com o pé atrás

A Vale do Rio Doce esclarece que o direito de preferência sobre o minério de Casa da Pedra não visa desestimular a CSN a investir na jazida. E que seus custos de exploração não são os US$ 4 citados na teleconferência da CSN. E quais são, então? Aí ela não diz.

Com Carla Falcão


[19/AGO/2003]


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