A gigante americana Sara Lee demorou a decidir-se entre Sadia e Perdigão, e corre risco de ter de adiar sua expansão no Brasil por falta de oportunidade. É eque ganharam velocidade os entendimentos para a entrada da Cargill na Sadia, avaliada em US$ 700 milhões.
Na Perdigão, por sua vez, os fundos de pensão têm apoiado as recusas da diretoria presidida por Nildemar Secches às sucessivas ofertas da GP, dos antigos donos do Garantia. Mesmo a Chapecó, mais forte em suínos e refletindo os problemas do grupo argentino Macri, atual controlador, está perto de um acordo com a Coimbra/Louis Dreyfuss.
Entradas e saídas
Para custear a entrada na Sadia, a Cargill deverá se desfazer da Citrovita. A fábrica de suco de laranja, avaliada em US$ 300 milhões, será negociada com o Votorantim.
De credor a sócio
Delegação da Globo foi a Paris esta semana negociar com os novos donos do grupo Kirch a redução de preço dos direitos de transmissão da Copa do Mundo até 2014. A exclusividade no período custa US$ 360 milhões. A saída mais palatável seria a devolução de parte dos direitos.
Melhor de três
Mais alavancado entre os grandes bancos do país, o Unibanco é o destaque do relatório do Morgan Stanley sobre o setor financeiro. A expectativa é de lucro operacional de R$ 419 milhões no primeiro trimestre deste ano, 54% acima da média de 2002. O banco prevê um melhor desempenho da carteira de crédito do Unibanco frente a Itaú e Bradesco.
Abaixo do ótimo
A estrutura societária atual da Telemar faz com que os prejuízos da Oi, operadora de celulares, não possam ser abatidos dos impostos sobre os lucros da Temar, braço operacional do grupo. A situação diminui a rentabilidade, e a insatisfação entre os minoritários da operacional aumenta.
Os representantes dos controladores, como Ronaldo Iabrudi, debateram alternativas como a compra da Oi pela Temar, descartada pela dívida da celular ainda superar o valor de seus ativos. A absorção das ações de ambas pela Telemar holding, proposta pelo UBS Warburg, esbarrou no prêmio sugerido.
O modelo custaria até US$ 2 bilhões, contra as atuais cotações de R$ 1,5 bilhão.
É a política, estúpido!
Aos que apostam na recuperação da economia americana, uma boa notícia. Um economista mais atento notou que o terceiro ano de mandato de todos os presidentes dos EUA, desde a Segunda Guerra Mundial, foi positivo para a Bolsa americana. Neste período, os presidentes - sejam eles republicanos ou democratas - começam a investir na expansão econômica com vistas à reeleição. O desempenho de índices como o Dow Jones e o S&P nos últimos dias leva a crer que George W. Bush seguirá a tradição.
Bola no pé e goleiro amarrado
Queixa ouvida numa mesa do Piantella, reduto boêmio de políticos e lobistas em Brasília: ''Esse Refis não dá! Quem vai pagar dívida com só 180 meses de financiamento?''
Afinando o discurso
O prefeito do Rio, César Maia, ficou impressionado com as projeções da MCM sobre os efeitos das reformas previdenciária e tributária, nos moldes propostos pelo governo. A carga subiria de 38% para 42% do Produto Interno Bruto.
Um padrão escandinavo de cobrança, sem serviços de qualidade comparável, que o PFL de Maia promete combater.
Aperto anunciado
O aumento do spread bancário em março já era esperado, avalia a CNI. Segundo relatório da instituição, contribuíram para isso os sucessivos aumentos dos recolhimentos compulsórios que o Banco Central determinou a partir do segundo semestre do ano passado. Em março, o spread foi de 33%, contra os 32% de fevereiro. Já o spread médio do primeiro trimestre foi de 32,2%, em comparação com 29,9%.