O governo retomou a proposta de liberar os investimentos das empresas estatais, deixando-as de considerar para as metas de gasto público acertadas com o Fundo Monetário Internacional.
O ministro do Planejamento, Guido Mantega, citou o expediente para contornar resistências de parlamentares à Lei de Diretrizes Orçamentárias, em debate no Congresso. Muito prior do que dobrar deputados e senadores será vencer a resistência da burocracia do Fundo a essa liberação de investimentos.
Por linhas tortas
Os comentários do diretor-geral do Fundo, Horst Köhler, de que o Brasil ainda estava no meio da travessia, soaram de início extemporâneos, dada a lua-de-mel do mercado com o país. Ficam mais lógicos agora que se sabe que a equipe econômica pressiona nos bastidores pelo afrouxamento dos controles do investimento público.
Tudo no timing
O Banco Central pode até estar dispensando novas emissões agora, mas o certo seria aproveitar o momento. A avaliação vem de alguns investidores estrangeiros. Parece agouro, mas o argumento é de que o Brasil deve tirar proveito enquanto se destaca como um dos ''queridinhos'' do mercado global.
O West LB, por exemplo, destaca o país ao lado de Turquia e Argentina como os melhores desempenhos entre os emergentes.
Prazo de validade
A inedita reunião entre minoritários da Vale do Rio Doce e da Caemi para discutir as consequências da transação entre as duas mineradoras resultou num voto de confiança aos controladores. Os argumentos da equipe de Roger Agnelli para negar um iminente fechamento de capital soaram convincentes.
O ponto central da argumentação era o veto da União Européia à incorporação da Caemi pela Vale e a necessidade de atender aos clientes, que temiam a concentração.
Só que os ganhos dos controladores com a unificação das empresas seriam tamanhos que analistas muito próximos à direção asseguram que a Caemi não passa de um ano como empresa aberta.
Vale o escrito
Um dia depois da emissão, os bônus da República brasileiros eram negociados no mercado secundário, por 100% do valor de face. Caso raro, indicando o momentâneo encanto pelo Brasil. Tanto que o Unibanco já aposta que em um mês o país faz nova emissão, de prazo de resgate mais longo e taxa mais baixa. Demanda é o que não falta.
Hora da virada
No último trimestre do ano passado, a Braskem só escapou de um prejuízo recorde por força de sentenças judiciais literalmente de última hora. Publicadas em 30 de dezembro no Diário Oficial.
Daí a expectativa para o relatório trimestral desta terça-feira, o primeiro depois das quedas significativa do dólar e do preço da nafta, principais pressões de custo sobre a líder da petroquímica brasileira.
Apetite de sobra
Em um único dia, o banco Fator fechou três negócios, de olho na liderança da corretagem nas bolsas. A instituição, que tem Manoel Horácio da Silva como um dos principais dirigentes, comprou a Comercial DTVM, ativa na Bolsa de Mercadorias&Futuros. Assinou um contrato de operação internacional com a Multitrade, forte nos EUA.
Por último, mas não por fim, absorveu o setor de aplicações até R$ 1 milhão da Investa, braço de internet do Itaú, com ativos administrados de R$ 120 milhões.
Discussão do momento
O papel das agências reguladoras deve estar entre os temas top 10 para seminários. Na próxima segunda, mais um evento discute a importância dessas instituições.
Dessa vez, o encontro é promovido pelo Instituto Roberto Simonsen, ligado à Fiesp.
Com Carla Falcão