O BNDES está pronto para executar as garantias que tem para as dívidas da AES pela compra da Eletropaulo. A equipe de Carlos Lessa praticamente perdeu as esperanças de que os americanos paguem os US$ 336 milhões que vencem hoje.
A execução começará amanhã, por causa do feriado. Caso não esbarre em um obstáculo jurídico de última hora, a medida implicará a absorção do controle da maior distribuidora de energia do país pelo banco. Que, logo em seguida, terá de repassar a gestão da companhia, pois as leis contra inadimplência no país impedem que a instituição assuma diretamente o comando.
Para todos os gostos
Confirmada a demanda por títulos soberanos brasileiros, o Banco Central não terá pressa para voltar a emitir. O país precisa colocar este ano pelo menos US$ 3 bilhões em bônus, para evitar que os vencimentos externos afetem as reservas. Só que a idéia é esperar a queda da taxa de risco em no mínimo 300 pontos, e colocar papéis com resgate entre 2010 e 2014. Esse é o período em que não existem títulos vencendo, daí a maior disponibilidade dos fundos para compras.
Acerto de contas
Um acordo com a canadense TIW para a superação de queixas mútuas levou a Telemig Celular a dobrar despesas administrativas. O lucro de R$ 44 milhões no primeiro trimestre, que agradou aos analistas, teria sido 20% maior sem essas despesas extraordinárias.
No melhor dos mundos
A demanda próxima aos US$ 6 bilhões na emissão de US$ 1 bilhão do Banco Central surpreendeu até mesmo grandes bancos estrangeiros. O vencimento dos títulos coincide justamente com o fim do mandato de Lula.
O temor inicial era de que a emissão fosse prejudicada pela tradicional aversão ao risco político no país. A data, entretanto, não desestimulou investidores como o Pinco, um dos maiores tomadores dos papéis oferecidos pelo BC. O fundo é, antes mesmo da emissão de ontem, o maior credor do país, com US$ 3 bilhões em bônus.
Cifras tentadoras
A EDF está muito perto de anunciar a conversão em ações dos créditos contra a Light. Esse aumento de capital deveria jogar as cotações para baixo, pois dilui os papéis em mercado. A ação subiu. É a aposta numa recompra das ações logo em seguida à emissão.
Puxando a fila
Usiminas e Cosipa estão negociando a colocação de bônus no exterior. A emissão do Banco Central indicou um custo mais atraente para as empresas brasileiras. Além disso, o resgate integral dos compromissos que vencem este ano não seria compatível com a evolução prevista para o caixa das duas siderúrgicas.
O céu é o limite
Se depender das commodities, ainda há espaço para o dólar cair mais. Essa é a conclusão de um estudo elaborado pelo Banco Espírito Santo a respeito da relação entre as exportações e o câmbio. Para o BES, o crescimento nas importações devido à queda da moeda americana não ameaça a projeção de um superávit de US$ 16,2 bi este ano.
A avaliação é de que as commodities brasileiras mantêm-se competitivas com o dólar abaixo dos R$ 3, no limite de R$ 2,70.
Ponto para o ministro do Desenvolvimento, Luiz Furlan, que reviu para cima em US$ 2 bilhões suas projeções de crescimento para as vendas externas este ano.
Trocando as bolas
Primeiro foi a Fazenda, fixando o superávit primário para 2044. Agora foi o Banco Central: está errada a paridade entre euro e dólar, na página do BC na internet. Lá é preciso ter 1,097 euro para comprar um dólar. O contrário do que acontece na realidade.
Ao que tudo indica, o governo federal precisa com urgência rever o conteúdo de seus principais sites.
Com Carla Falcão