A ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, chamou para si a condução do problema com as concessionárias do setor elétrico. A equipe econômica obteve do presidente Lula a reafirmação dos princípios gerais de evitar quebra de contratos. Não há interesse, em princípio, em retomar as concessões, já que isso livraria os controladores das obrigações do pagamento com os credores.
O maior credor das empresas em crise mais aguda, como a Eletropaulo, é o BNDES. A diretoria teria sido orientada, contudo, a evitar comentários de público sobre o problema, de forma a deixar clara a primazia da ministra no encaminhamento do problema.
Aves de arribação
Esta semana, Brasília assiste a um evento raro desde a crise do ano passado, o giro de investidores estrangeiros. Duas comitivas cruzaram a cidade, com fundos de Boston e Nova York, coordenadas pelo Morgan Stanley e pelo UBS Warburg. A chegada coincide com a retomada pelo Citibank das linhas de crédito para o país.
Força na competição
A compra de frequências de banda larga pela Embratel, ontem, reforça a estratégia da companhia no segmento corporativo. Analistas e dirigentes do setor avaliam que a operadora deve dar especial interesse, este ano, ao atendimento de contas de pessoas jurídicas, incluindo empresas de médio porte. O segmento corporativo é notadamente o mais rentável do setor de telecom.
Martelo batido
A Brasil Telecom, presidida por Carla Cico, depende de detalhes mínimos para anunciar a compra da Metrored no país. A empresa, provedora de acesso à internet, tem uma das maiores redes de fibra ótica do Sudeste, e a perspectiva inicial era de que o negócio fosse anunciado junto com a compra da Globenet. As duas transações ajudam e muito a chegada da BT ao mercado corporativo de São Paulo.
Mudança de figurino
Como desdobramento das reformas internas no BNDES, as chefias de departamento e gerências serão reduzidas em 15%. A justificativa é a adaptação do banco a um perfil mais voltado para a promoção do desenvolvimento.
Queda e coice
O adiamento da licitação para a construção das plataformas P-51 e P-52 servirá de teste para a diretoria da Petrobras perante o mercado. O que se espera é que a companhia não promova mudanças no edital a fim de favorecer concorrentes nacionais. Recentemente, os papéis da Petrobras foram rebaixados, entre outros motivos, por conta do temor de que as empresas locais fossem privilegiadas na licitação. Se é por isso, as ações já podem começar a cair, pois o reforço da indústria nacional pelo poder de compra das estatais foi reafirmado por Lula ao longo da campanha eleitoral.
Decolagem difícil
Ao que tudo indica, a notícia de uma possível fusão entre a Varig e a Tam ainda não foi suficiente para comover o mercado. As ações da Varig seguem caindo. A empresa, comandada por Manoel Guedes, fechou o dia em queda de 9,8%. O desempenho repete os fechamentos de segunda (-5,5%) e sexta-feira (-8,08%). A união é bem vista, mas prevalece o descrédito quanto às concessões necessárias por parte da Fundação Ruben Berta, a controladora da Varig.
Drible de corpo
O pedido de ajuda que Furnas fez à
Eletrobras soou como um expediente político
para analistas de mercado. O argumento é de
que a empresa mais superavitária do setor
elétrico, que conta com eficiente provisão de
dívidas, dificilmente seria afetada pela
inadimplência de três empresas. Furnas teria
dado uma espécie de sinal ao BNDES, de Carlos
Lessa, para que este libere recursos ao setor.
Com Carla Falcão