A AES Elpa, controladora da Eletropaulo, deixou de pagar um crédito de US$ 85 milhões ao BNDES, e as ações no mesmo dia subiram quase 10%. Soa ilógico, mas tem explicação: parte significativa do mercado trabalhou com a informação de que o BNDES, presidido por Carlos Lessa, irá converter em ações os créditos que detêm contra a AES.
O fluxo de caixa projetado da Eletropaulo é insuficiente para cobrir o principal da dívida da controladora que vence este ano. Em outros tempos, ninguém festejaria uma federalização iminente. Mas com o compromisso de revenda assumido pelo governo petista, outro sinal dos tempos, o mercado já torce por um desfecho rápido. Melhor uma estatal saneada e com privatização a caminho do que uma empresa privada sem perspectivas.
Puxando a fila
O BNDES é o maior credor da Eletropaulo e da AES Elpa, com dois terços dos créditos. O caso é o mais agudo dentre as grandes distribuidoras, mas está longe de ser o único. A Light também tem uma geração líquida de recursos insuficiente para cobrir o principal da dívida vincenda este ano. E a saída em negociação é parecida: um novo aumento de capital. No qual a EDF mostra-se pouco disposta a acompanhar, ainda que ao preço de abrir mão do controle da distribuidora.
Antes tarde do que nunca
Depois de aumentar os juros, o Banco Central começa a prestar atenção nos sinais de desaquecimento da economia. Crescem as chances de um corte nas taxas já em fevereiro, com risco de guerra e tudo.
A primeira vítima
A mudança nos critérios de cálculo de desemprego do IBGE custou o cargo ao presidente, Sérgio Besserman. A elevação da taxa decorreu principalmente da redução de 15 para 10 anos da entrada na população em idade ativa, decidida no governo passado mas divulgada somente agora. Eduardo Nunes, do departamento de Contas Nacionais, é ligado ao senador Aloísio Mercadante, mas não seria guindado à presidência não fosse o episódio.
Calibrando os prognósticos
O superávit primário prometido para este ano aproxima-se dos 4,5% do PIB. Efeito dos resultados preliminares da receita de tributos federais em janeiro e da constatação que o resultado do ano passado (4,02%) superou o prometido ao FMI. O desaquecimento fez a Fazenda flertar com a idéia de manter a meta em 3,75%, mas a retração de crédito externo esperada com a guerra sacramentou a opção mais conservadora e pró-mercado.
Recorde mundial
A rede varejista Arapuã prepara-se para festejar o segundo aniversário de concordata. Sem que com a passagem do tempo ganhem força os pedidos de falência. Os credores, o maior dos quais a Mitsubishi/Evadin de Léo Kryss, não escondem a irritação com a Justiça.
Em campo minado
Ex-dirigente do departamento nacional dos bancários, ligado à CUT, o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, acompanhado do secretário de Previdência Complementar, Adacir Reis, farão, nesta terça-feira, uma visita oficial à Força Sindical, rival da CUT e crítica aos planos de reforma de Berzoini. Ambos devem endossar o projeto de criação do ForçaPrev, fundo de pensão dos associados da central, que conta com 1,2 mil entidades filiadas. A meta do ForçaPrev é atingir 35 mil assinantes até o fim do ano.
Pingos nos is
A Inepar não seria afetada por sentenças pró-Petrobras no caso das plataformas P-19 e P-31, ao contrário do que disse esta coluna. E o caso ainda está longe do desfecho, já que o consórcio responsável pela obra argumenta que o atraso na entrega decorreu de modificações contratuais impostas pela própria estatal, com novos cronogramas negociados caso a caso. E a perícia sobre os contratos está apenas começando.