A redução do percentual do álcool na gasolina, em discussão no governo para reduzir a pressão sobre os preços dos combustíveis, tem um saudável efeito colateral, a liberação da oferta de nafta petroquímica. A nafta é usada para equilibrar a octanagem (potencial de combustão) da mistura, já que o álcool é 25% mais carburante do que a gasolina.
O aumento da oferta de nafta ajuda o esforço das centrais petroquímicas para obter descontos da Petrobras, fornecedora de 80% em média da matéria-prima. As chances de sucesso não são desprezíveis, agora que o ministro do Planejamento, Guido Mantega, listou a cadeia dos plásticos como uma das prioridades na recuperação da competitividade da indústria, logo depois dos eletroeletrônicos. E não por acaso: o déficit comercial do setor beira os US$ 5 bilhões/ano.
Pura X aplicada
A direção da Finep está sendo disputada por dois nomes: Sérgio Rezende, ligado ao PSB, e João Furtado, da Unicamp e mais próximo ao PT. Vantagem para o segundo, pois a Finep, principal fonte de recursos para a pasta de Ciência & Tecnologia, tende a priorizar a pesquisa aplicada, de resposta mais rápida para as exportações.
Força patronal
A Fiesp demonstra influência nada desprezível no governo do PT, de sindicalistas tantas vezes do outro lado da trincheira. Os petistas gaúchos, até então com a aura de imbatíveis, provaram dessa força na montagem da Apex. A agência de promoção das exportações ficou com Juan Quirós, da federação patronal paulista.
Ouro sobre papel
Diretores e conselheiros da Aracruz, como Carlos Alberto Vieira, do Safra, devem andar rindo à toa. A tonelada da celulose, hoje em US$ 510, deve bater US$ 550 mês que vem. Quase 10% a mais. E cada 5% de aumento de preços trazem US$ 50 milhões anuais a mais para o caixa da companhia.
Volta por cima
Livre da cassação por uma renúncia de última hora, Antônio Carlos Magalhães voltou ao Senado dando mostras do antigo poderio. Não bastasse a provável condução do aliado José Sarney à presidência da casa, ACM ainda tornou-se o principal interlocutor do PT no PFL. O que pode garantir a Inocêncio Oliveira a primeira-secretaria da Câmara na chapa de João Paulo Cunha.
Assim é se lhe parece
Bombardeado por denúncias contra sua passagem pela presidência da Assembléia Legislativa de Minas, o ministro Anderson Adauto mostrou-se confiante em recuperar os recursos da Cide sobre combustíveis para a pasta dos Transportes, em conversa com empresários do setor.
Made in Brazil
Maior fabricante nacional de computadores pessoais, a Metron tem planos agressivos para a Europa. Após vender entre US$ 4 milhões e US$ 5 milhões em Portugal, onde lançou seus produtos no ano passado, a companhia aposta na Espanha. Não estão fora de cogitação, entretanto, investidas aos mercados francês e britânico ainda neste ano.
Mudança de sintonia
Quem espera que o ministro das Comunicações, Miro Teixeira, promova uma revolução no setor de telecom , corre o risco de se decepcionar. Quem acompanha Miro, aposta que o ministro está mais interessado em inclusão digital e, sobretudo, na liberação de novas concessões de radiodifusão. Sinal de que, nessa área, o esvaziamento das agências reguladoras está ao menos por ora fora de questão.
Pelo caminho mais longo
O repasse obrigatório a estados e municípios de 25% dos recursos da Cide sobre combustíveis deverá ser restituído pelo Congresso. Levará tempo, contudo. O caminho mais curto, a derrubada do veto presidencial, exige a quebra de uma escrita de 14 anos em favor do Planalto.