As entidades patronais do agronegócio e a bancada ruralista mostraram sua força mais uma vez. Com isso, o governo vai mexer na recém-editada MP 66, que mudou os critérios de recolhimento do PIS e da Cofins para desonerar as exportações.
O argumento dos fazendeiros e das indústrias do setor é de que o aumento da alíquota de 0,65% para 1,65% não pode ser compensado pos créditos fiscais em outras fases da cadeia produtiva, ao contrário do que ocorre com fabricantes de produtos mais complexos. O detalhe passou despercebido à equipe de Pedro Malan, mas não à coordenação política do Planalto, que acolheu o pleito dos agricultores.
Compasso de espera
Quando Tony Pedder, presidente da Corus, esteve no Brasil, há poucos dias, anunciou que, se for consumado o acordo de fusão com a CSN, dobraria de 4 para 8 milhões de toneladas o volume de minério de ferro a ser comprado da Vale pela Corus.
A revista especializada Metal Bulletin afirmou que a Corus e a Vale já teriam, inclusive, celebrado um acordo durante a visita de Pedder, baseando-se em informações atribuídas a Benjamin Steinbruch. Na Vale ignora-se a existência de qualquer acordo daquele tipo entre a siderúrgica anglo-holandesa e a direção da CVRD. Esta, aliás, continua à espera dos documentos oficiais relativos à fusão Corus-CSN para ver como essa operação eventualmente afetará seus interesses específicos.
Invencível armada pontocom
A Telefónica pleiteou a aprovação da Anatel para um mecanismo capaz de colocar de cabeça para baixo o mercado de internet. Com uma taxa fixa mensal, como na banda larga, o internauta poderá navegar o tempo que quiser na web, desde que a rede utilizada pelo provedor seja da Telefónica.
Na Grã-Bretanha, o dispositivo já corresponde a 40% dos acessos à internet. E a grande rede, por sua vez, soma 30% do tráfego da British Telecom. O desafio para a equipe de Luiz Schymura é permitir essa opção aos usuários sem comprometer a livre concorrência no setor.
Parada de sucessos
A subida nas pesquisas fez com que o ânimo voltasse na campanha de José Serra. Pode ser precipitação, claro, mas tucanos de vistosa plumagem já se dedicam a especular sobre a equipe econômica em caso de vitória. Crescem os nomes de Pérsio Arida e, principalmente, José Roberto Mendonça de Barros.
Estrangeiros fora
A aposta no fechamento de capital da Usiminas está cada vez mais restrita a corretoras e bancos de investimento cariocas. Na ponta de venda, de quem portanto não espera novidades que valorizem o papel a curto prazo, destacam-se Merrill Lynch, Santander, Brqscan e Hedging-Griffo, fortes na administração de recursos estrangeiros. Na compra, o apetite maior ontem foi do Prosper.
Oferta de ocasião
Os fundos de investimento - poucos, é verdade - que analisaram geradoras de energia à venda espantaram-se com o preço. Tá tudo barato. E muito.
Firme no leme
O recurso movido pela Isenbeck por um juiz argentino não altera as perspectivas de aprovação do negócio entre a Quilmes, maior cervejaria argentina, e a Ambev. Prognóstico do Credit Suisse First Boston (no Brasil, dono do antigo Garantia), que tem um dos mais respeitados departamentos de análise do planeta. As notícias seguem boas para a empresa que tem Marcel Herman Telles como um dos dirigentes. O aval do Cade local deve sair até novembro, o mais tardar.
Escondendo o jogo
Uma certeza corria entre os executivos bem informados do World Petroleum Congress. A Shell descobriu um campo gigante no Sul do Espírito Santo. Duro vai ser arrancar a confirmação oficial disso até agosto do ano que vem, quando vence o prazo de notificação de viabilidade comercial das áreas licitadas à Agência Nacional do Petróleo.