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Grito de guerra

Quem quiser ver Roger Agnelli, presidente da Vale do Rio Doce, irritado de verdade, basta comentar as notícias sobre a ofensiva da Anglo American. Agnelli lembra, em conversas com colaboradores, que a mineradora teve de comprar de volta a fatia da Anglo no Projeto Salobo, por US$ 50 milhões, para deslanchar o investimento na exploração de cobre na região, contígua a Carajás. Com essa falta de apetite, argumentam os executivos, seria difícil disputar um negócio do tamanho da Vale. Como, aliás, já teria ocorrido no leilão de privatização.

O cobre, por sinal, é um dos focos de diversificação da Vale, com a aplicação de US$ 2,5 bilhões nos próximos cinco anos. Ao final dos quais, graças a Salobo e Sossego, também no Pará, no qual a fatia comprada foi da Phelps Dodge, a mineradora espera estar produzindo 600 mil toneladas de concentrado de cobre. O dobro da demanda nacional.

Torcida firme

Analistas e operadores de mercado que divulgaram a informação de uma transferência de intenções de voto de Ciro Gomes em favor de José Serra não deram o braço a torcer com a divulgação das sondagens da Vox Populi e da Toledo & Associados, com Ciro bem à frente. A expectativa voltou-se para a próxima rodada do Ibope. A coleta, encerrada na quinta-feira, teria pego os primeiros efeitos das denúncias contra o então coordenador da campanha de Ciro, José Carlos Martinez, do PTB.

X da questão

O grupo Ipiranga prepara um aumento de capital para reduzir o endividamento da divisão petroquímica. O risco de diluição de sua fatia teria levado Antônio José Carneiro a leiloar hoje quase 20% do capital da empresa.

Compasso de espera

Longa reunião na sexta-feira passada entre representantes da Telecom Italia, do Opportunity e dos fundos de pensão terminou sem acordo definitivo. Os italianos dependem de um acerto sobre sua saída do controle da Brasil Telecom para poderem operar a TIM, empresa de celulares que é seu principal investimento no país.

A Anatel mudou de presidente, com a posse de Luiz Schymura, mas não de posição. Sem deixar o controle da BT, nada feito para a Telecom Italia.

Quanto às compras em análise pela Brasil Telecom (Intelig, Metrored e Globenet), suspense até a próxima quinta-feira, data do encontro do Conselho de Administração.

Trégua temporária

A Petrobras abriu mão do reajuste dos combustíveis por ora, diante da oscilação excessiva do câmbio e do risco de distorção. Em pouco tempo, contudo, o aumento virá. Da última vez que a estatal atualizou seus preços, o dólar estava a R$ 2,57.

Semântica da delicadeza

Moratória tornou-se um termo tabu até nos arraiais da esquerda. Fica mais elegante falar em waiver, perdão para dívidas ou cláusulas. Feito o contorno, vamos então ao ponto: a negociação com o FMI inclui a rolagem automática das parcelas que vencem em 2003. Como a Argentina só conseguiu à beira do abismo, assim mesmo para uma única parcela.

Parto difícil

O enquadramento dos novos navios encomendados pela Petrobras no Fundo de Marinha Mercante data de dezembro do ano passado. Desde então, o BNDES mantém os projetos sob análise, e não libera as verbas, que somam US$ 220 milhões.

A equipe de Eleazar Carvalho, contudo, rebate as queixas de lentidão burocrática por parte do banco, ou de extrapolação das funções de gestor do Fundo. O argumento é de que o crédito não é para a Petrobras, de excelente perfil de pagamento, mas para os estaleiros. As garantias oferecidas são insuficientes, e a eventual inadimplência teria de ser coberta com dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), base do orçamento do BNDES.

Filho pródigo

A direção da Vale do Rio Doce ficou satisfeita com a volta de Luis Tarquínio à presidência da Previ. Tarquínio, mesmo durante a intervenção no fundo, seguiu no Conselho da Vale.

[05/AGO/2002]

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