Impressionante o movimento das cooperativas de artesanato. O que é produzido por alguns grupos, que se reúnem para tentar fazer de um conhecimento prático um trabalho digno, tem uma importância difícil até de calcular. Basta um órgão como o Sebrae se interessar e orientar nos meandros da organização e do gerenciamento (não agüento mais a palavra “gestão” ), um designer ou estilista dar um caminho de estilo, e pronto.
Dá para imaginar o que significa isto? Que em cidades quase estagnadas grupinhos de mulheres consigam pagar as contas, comprar comida e vestir os filhos, com o talento dos bordados, das tramas ou dos patchworks?
O empenho de pessoas como a socióloga Tereza Leal, pioneira neste desenvolvimento, transformou costureiras na Coopa Roca, um case reconhecido internacionalmente. Mais incrível ainda é a força destas senhoras, que lutam contra a pobreza diariamente. “Mais do que pelo resultado financeiro, elas ficam felizes por se sentirem competentes, capazes de entrar em um mercado de trabalho”, conta Celia Abend, da Firjan. Quando um grupo de artesãs foi chamado para uma reunião na poderosa Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, uma delas achou que havia algum engano.
"Este prédio todo de vidro, cheio de gente servindo cafezinho lá dentro... O que querem conosco?" impressionou-se a bordadeira. É isso: o movimento das
cooperativas abre outro mundo para as artesãs. O nosso mundo, a terra do consumo, dos prédios de vidro e dos cafezinhos. Vamos dar as boas-vindas a elas e seus tapetes, teares, bolsas, sandálias e bijuterias maravilhosas.
Museu
Curitiba tem o festival de teatro, os desfiles do evento Fashion Art, e agora é aberto o Museu do Perfume, iniciativa do Miguel Krigsner, líder da O Boticário. Com o patrocínio da empresa de fragrâncias Givaudan e do fabricante de frascos Saint Gobain, a primeira exposição vai mostrar que a história do perfume remonta a 5 mil anos, teve uma evolução enorme no século 20, e conta com ícones como Sarah Bernhardt, Theda Bara, Jerry Hall e Marlene Dietrich. Luiza Brunet foi eleita musa dos anos 80, e sua foto estará lá, enfeitando parte
dos 310 m² do museu, que fica no Espaço Estação. Imperdível é a Scent Zone, onde ficam equipamentos que liberam perfumes de várias épocas.
Decorativa
Um encanto a linha Memoire, da porcelana Schmidt, à venda na Tok & Stok. A estampa lembra a clássica Toile de Jouy, usada em xícaras de café (R$ 11), de chá (R$ 14,50), pratos rasos (R$ 21), jarros (R$ 98), serviço americano (R$ 14,80) e muitos outros itens, como o abajur ao lado (R$ 65).
Cartela vip
A cartela do luxo inclui o vermelho Valentino, o azul Lanvin, o verde Prada, o ouro tricolor da Cartier, o amarelo do couro épi da Louis Vuitton. E o laranja das bolsas Hermès, um dos tons mais emblemáticos da moda. Estas marcas são caras, mas as cores existem em outros produtos. Vi uma linha de casacos e saias no tom certo, na TNG do Fashion Mall. Outro bom exemplo é a linha de bolsas em couro e lona da etiqueta carioca Uncle K. Na mesma combinação de laranja e couro marrom-escuro, quando jogadas nos ombros, dão a sensação de celebridade instantânea, de amiguinhas de Jacquelines, Graces, Jennifers e Demis. Sem querer ser demagoga, vejo vantagens nas bolsas brasileiras: são mais leves. Além de custarem menos de um décimo do preço das francesas.
Já que falo do laranja Hermès, lembro da L´Occitane, outra marca francesa que lida com a fruta, a perfumada laranja da Provence. O difusor de ambiente espalha pela casa o cheiro de gomos de verdade, uma delícia suave e duradoura.
Banana
Esta coluna está uma quitanda. Depois das laranjas, falo das bananas. Delas são as fibras e as palhas de bananeira recicladas por artesãos da cidade de Maria da Fé, em Minas Gerais, para fazer belos centros de mesa (acima). No Rio, estão na Velho Chico, loja dedicada ao artesanato popular, em Ipanema.
Viajantes
Brasileiros são grandes viajantes, gostam de se divertir, de lugares diferentes e de fazer compras. Nem sempre falam inglês, francês ou espanhol, mas vão em frente. Duas histórias circulam entre o povo da moda, que é dos que mais viajam:
a primeira, da senhora que perguntou a um ambulante nova-iorquino: “Tem hot-dog?” e em seguida se viu às voltas com 10 cachorros-quentes, pela confusão entre o nosso verbo “ter” e o “ten” que significa 10, em inglês.
A segunda, do senhor apressado, que viu um vestido, com preço ótimo, para a namorada. Não comprou na hora. Dois dias depois, decidiu voltar para levar o presente. Óbvio, esqueceu onde era a loja, rodou horas em vão. Depois comentou com os amigos que eram várias, da rede… July Sales (pena, esta é apenas a expressão das ofertas de julho. E as liquidações de Manhatan já tinham acabado quando ele resolveu fazer a compra).
Hot-dog me lembra que no Carrefour, na Barra, encontram-se as mostardas mais famosas: várias alemãs (tipo suave), a francesa, de Dijon (também fraquinha) e a Colman´s inglesa (isto sim é mostarda!)
Já que citamos Nova York, há novidades para quem segue para o verão americano. Ponham no caderninho o Design Lot, mercado estilo Babilônia, que reúne novos estilistas. Fica no Brooklyn, vende marcas como a Blank on Blank, InsidersNY, Prizy Sebastian, Vivian Bennett e moda praia em macramê dourado da Ambika Bikini. Aos domingos, das 11h às 16h, em Fort Greene, até o primeiro domingo de setembro, quando os americanos comemoram o Dia do Trabalho (Labor Day). Milho verde, sanduíches cubanos e refrigerantes mexicanos são servidos no Café Habana.
O Design Lot fica na esquina de Portland Avenue com Fulton Street, no Brooklyn (tel: 718-230-8238).
Broches
Os broches continuam a carreira de sucesso. Pelo que se viu nos desfiles da alta costura, as flores crescem, até parecerem repolhos pousados nos ombros, como no look acima, de Elie Faab. No Fashion Rio, as flores de ouro enegrecido da Natan, sobre os vestidos da Tessuti, foram destaques de complementação.
Os insetos também vão enfeitar o verão. A Pathisa (Barra Point) tem borboletas de penas pintadas à mão (detalhes). Chris Bove deu uma modernizada nas asas, e criou versões em prata. E o broche de cristais, desenhado por Ethel Moura Costa, tem sempre uma lista de espera na Bijou Box.
Casa Cor
Patricia Mayer adiantou que a Casa Cor será no alto da Gávea, na casa em frente à Igreja de Santa Inês. “O número de participantes será altamente controlado, porque a casa não é muito grande”, contou, quando nos encontramos no Fashion Rio. Sua visita ao MAM tinha a ver com os desfiles e também com o restaurante da Casa Cor. Em outro evento carioca, Jairo de Sender revelou que está na lista dos arquitetos.
Olímpica
A Olimpíada inspira a moda. Vejam a estampa delicada dos plissados e blusas da Animale, com figuras da Antiguidade em modelos inspirados em Madame Grès, mestra dos drapeados e plissês, que também se baseava no corte das túnicas e peplos gregos.