Os homens são os consumidores-alvo da moda. Para eles há mais novidades a serem criadas, já que estão perdendo o medo de sair do tradicional. Com exceção do lourão de terno branco, as outras propostas foram vistas na Feira Nacional do Inverno, que se realizou entre 21 e 23 de janeiro, em Gramado, Rio Grande do Sul.
Ternos e saltos altos
"Homem tem que usar terno para se sentir seguro. É como o salto alto, para as mulheres", explica Kenia Apa, líder da Apa, uma das maiores fábricas de roupas masculinas da América Latina. Os novos paletós têm duas aberturas e quatro botões em escama nos punhos, um avesso que atrai pelos inúmeros bolsos compartimentados. A coleção inclui cabans, casacos mais largos e esportivos. Nas calças, um acabamento de lavagem com enzimas especiais deixa um perfume suave. No colorido, uma queda acentuada pelo verde. Tanto na Apa, como na Chester e na linha de Francesco Danello, há um ajustamento sutil nos paletós. "É preciso não ser agressivo nas tendências, mas ter inovação nos conceitos", diz Danello.
Camisas atravessadas
Unânime na feira de Gramado, a camisa de listras na diagonal tem uma das melhores versões na coleção da Fred Vic. Victor Antonio Misquey, da 3ª geração de donos em 72 anos da marca, se orgulha do acerto: "É difícil até de cortar". Na Dudalina, vale o azul italiano. As camisas estão mais estreitas e os tecidos têm acabamento easy iron (passa fácil). "Só de ver o ferro, a camisa fica esticadinha", brinca Sonia Hess, diretora da marca e uma das criadoras do Salão da Moda Masculina.
Alemão chique
Nunca mais diga (nem pense!) que europeu, especialmente alemão, não sabe se vestir no verão. Grave esta imagem, do lourão de terno – "Rugo Boss", como pronunciam – e camisa brancos, cinto de náilon e gravatinha estreita preta. Tudo certo: o corte do paletó, a leveza do tecido, o colarinho aberto.
Conforto na base
Solas crepe ou de borracha, com o solado subindo pelos calcanhares e no bico são novas maneiras de fazer mais confonfortável a linha de mocassins e sapatos esportivos. As formas são mais alongadas e finas. O inverno obriga aos tons escuros (preto, café e marrom) , mas os couros têm um aspecto desgastado. O sapatênis continua firme. Na linha social, predomina o preto clássico, com detalhes de borracha no solado, ou os tons naturais queimados, com viras pespontadas na sola. São dicas da Samello, produz 12 mil pares diários e exporta para Gucci e Prada.
Gravatas de presidente
As listras em diagonal na seda ou no poliester enfeitam com tons de marrom e azul (no lugar do clássico marinho e vermelho), preto e crème, e muito vermelho, segundo a coleção da Spring, etiqueta das gravatas do presidente Lula. O pontilhado, o maquinetado e as estamparias figurativas continuam, mas não há espaço no guarda-roupa elegante para gravatas de tricô ou pintadas à mão.