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Quadrinizando Ed
[30/MAI/2005]
Fã de HQs, o cantor Ed Motta vira herói de gibi no encarte de seu novo CD
A paixão de Ed Motta pelas histórias em quadrinhos
sempre foi declarada. Cantor algum daria a seu segundo
disco o nome de Um contrato com Deus, referência à
graphic novel homônima do genial Will Eisner, se não
curtisse (ou entendesse)muito da arte seqüencial. Já
passava, portanto, da hora de Ed converter potência em ato e
verter seu amor em forma de uma primeira experiência quadrinística
onde revelasse sua porção autor e – por que não? – sua
metade personagem. Aystelum, seu novo CD, que chega às lojas
este mês pela gravadora Trama, foi o passo inicial para a quadri-
nização definitiva de um dos mais experimentais intérpretes do
pop/jazz brazuca. Repertório à parte, o encarte, assinado por
Edna Lopes, mulher de Motta e autora da ótimo álbum Amana –
Ao Deus dará (Ed. Casa da Palavra), é uma divertida HQ cujo
traço lembra o estilo de Edgar Pierre Jacobs em Blake & Mortimer,
cult do mercado de Banda Desenhada (BD) na França.
– Sou um quadrinistra e designer frustrado. Assumo mesmo.
Queria ter um quadrinho dentro do meu disco. E esse foi
concebido a quatro mãos, por mim e pela Edna, com um jeito
de contar histórias ainda meio tosco, que lembra muita
coisa das HQs européias. Todo mundo ainda associa meu nome
ao funk, pelo que gravei no início da carreira. Dizem que
Ed Motta é funk. Se for mesmo assim, Aystelum , o encarte,
foi o funk da Edna – brinca o cantor, que se orgulha de ter em
seu apartamento um quarto inteiramente dedicado à sua
volumosa coleção de álbuns desenhados por bambas da HQ
do Velho Mundo, como Jacques Tardi e Hugo Pratt.
Seletivo, Ed curte mestres do underground como Chris
Ware. Entre os brasileiros, destaca dois mitos:
– Adoro Marcatti e Lorenço Mutarelli. E, dos veteranos,
gosto do Flávio Colin, que morreu sem que a mídia
lhe desse destaque.
Para faturar um troco a
mais, muito quadrinista, dentro
e fora do Brasil, fez bico
desenhando cartazes de cinema.
Alguns dos melhores pôsteres
da história do audiovisual
assinado por bambas do
cartum, como Lorenzo Mattotti,
estarão em exposição
até novembro no Museo Nazionale
del Cinema, em Turim,
na Itália. A mostra chama-se
Cosa un altro mondo, pois concentra-
se apenas em cartazes
de filmes de ficção científica.
Mais vanguardista detetive
das HQs, Dick Tracy, de Chester
Gould (1900-1985), hoje alimenta-
se de um pão-de-ló
amassado por Satanás em pessoa.
Sumido das bancas, Tracy
virou pivô de pendenga judicial
envolvendo o atorWarren
Beatty, que clama para si os direitos
do personagem. Beatty
dirigiu em 1990 um longa inspirado
no herói e planeja uma
continuação. O plano ameaça a
série de TV que o produtor Lorenzo
Di Bonaventura pretendia
fazer sobre Tracy.
Com belo currículo de serviços
prestados aos fu met ti
(HQs italianas), a editora Mythos
renova agora seu cardápio
com um mix de títulos da
Top Cow Comics. Pr oc urad o,
de Mark Millar e J.G. Jones, é
o primeiro da fila, seguido pelo
genial Rising stars.
Com 20 aninhos nas costas,
já passou da hora de Calvin e
Haroldo virarem gente grande.
Criada em novembro de
1985 pelo arisco Bill Watterson,
a dupla ganha em dezembro
uma luxuosa coletânea
em três volumes, reunindo todas
as suas tiras.
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Copyright © 1995, 2000, Jornal do Brasil.
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