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Emissário do arco-íris

Sucesso na Europa, o alemão Ralf Köning é hoje o maior militante do quadrinho gay

Big brother algum, nem o assustador olho que tudo via no 1984 , de George Orwell, foi mais severo do que os códigos de censura edificados ao longo do século 20 na indústria dos quadrinhos para rastrear prováveis insinuações homossexuais. Todo o anedotário criado em torno do convívio entre Batman e Robin na Batcaverna foi seqüela dessa paranóia. Mas, para o alemão Ralf Köning, um dos cartunistas europeus mais lidos da atualidade, uma HQ que se preze não pode ter medo de dizer seu nome. Nem suas preferências.

Gay assumido, Ralf consagrou-se à força de álbuns como Maybe... Maybe not!, publicado no Brasil pela Via Lettera como O homem ideal e premiado com o troféu HQ Mix (o Oscar brazuca dos quadrinhos) de melhor álbum de humor em 1998. A história de um garanhão que desperta a libido de belas mulheres e de apaixonados homens virou um filme de enorme sucesso na Alemanha em 1994, tendo sido lançado em vídeo por aqui, via Paris Filmes, como O homem mais que desejado, estrelado pelo galã germânico Til Schweiger, vilão do recente Rei Arthur (2004).

O êxito comercial do longa-metragem serviu de publicidade à cruzada pessoal (e sexual) de Ralf. O desenhista nunca aceitou o fato de os quadrinhos terem vivido por décadas submissos ao preconceito, sem incluírem o tema da homossexualidade em seu universo de heróis coloridos.

Para corrigir essa falha, ele, que era fã das peripécias de Asterix e dos álbuns de Robert Crumb, resolveu iniciar uma produção em série de gibis onde homem gostar de homem é algo absolutamente normal, além de muito divertido. Publicado atualmente pela tradicional Carlsen Comics, que acaba de lançar o álbum Konrad & Paul - Big Dick, o autor virou símbolo da militância entre as tribos do arco-íris.

"Considero-me um privilegiado por ser um dos únicos autores gays de grande público a escrever sobre o mundo gay. Sem dúvida, há outros escritores homossexuais que vendem bem mais do que eu. Mas a maioria está escrevendo romances policiais ou qualquer outro tipo de literatura para heteros", afirma Ralf em sua homepage www.ralfkoenig.de, onde sua bibliografia está disponível para consulta.

No site, ele narra, passo a passo, sua luta contra o preconceito - o dos outros e o seu próprio. "Quando debutei nos quadrinhos, aos 19 anos, estávamos em 1979. Já faz muito tempo. Incrédula juventude, acredite em mim: aquela era uma época muito diferente, onde ser gay significava ser sujo, doente, transviado, ou seja, alguma coisa sobre a qual não se deveria falar. Toda minha puberdade foi varrida por complexos e medos", confessa Ralf, afirmando que seus primeiros textos foram concebidos ao som de Nina Hagen e de Abba. "É preciso ser bravo para admitir que se gosta de Abba", diz.

Cerzida com arame farpado

Lorenzo Mattotti nasceu uma década depois da derrota fascista na Segunda Guerra Mundial. Mas a Itália onde cresceu era ainda assombrada pelos zombeteiros espectros dos que tombaram sob os fuzis das tropas de Benito Mussolini. O mais expressivo dos grandes desenhistas italianos conseguiu exorcizar parte desses fantasmas nas páginas de Oltree le linee, recém-publicada no gibi Orme. A historieta, que marca o auge de sua maturidade, narra a campanha de uma tropa nos escombros de um velho cinema. Para conferir seu conto gráfico, basta olhar o site www.bookscomicsfree.it.

Blockbuster ruivo

Conan pode não estar com a bola toda, mas o mesmo não pode ser dito de sua contemporânea de Era Hiboriana: Sonja. A nova revista da guerreira ruiva, escrita por Mike Carey, já vendeu cerca de 200 mil exemplares. Os desenhos de Red Sonja são de Mel Rubi.

Do outro mundo

Escolado no misticismo após capitanear as aventuras da Mulher Maravilha, o talentoso escritor e desenhista Phil Jimenez apresentará aos americanos no início de maio sua obra-prima: Other world. Na série do selo Vertigo, ele mostra a sofisticação de seu traço.

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[22/ABR/2005]


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